Sistema traz lucro para outras cidades
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terça-feira, 04 de novembro de 2003
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
Paralelo ao processo de transição imposto pela Procuradoria do Trabalho, o sistema de estacionamento de Londrina tem mostrado outros problemas. Na semana passada, a Epesmel solicitou à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) reajuste da tarifa, hoje em R$ 0,60 a hora. A entidade argumenta que o valor recolhido com a venda de bilhetes de estacionamento não é suficiente para manter os custos. A Folha comparou o serviço em quatro cidades do Estado e a pesquisa revela que as alternativas de outros municípios não só mantém as despesas como geram recursos.
Em Ponta Grossa, por exemplo, a tarifa para 1 hora custa R$ 0,50. Lá o gerenciamento do serviço é feito por 126 funcionários públicos concursados que fiscalizam aproximadamente 4 mil vagas a um salário mensal de R$ 411. Segundo o coordenador da Autarquia Municipal de Trânsito, Olívio Carlos Mendes, o sistema é totalmente gerido pelos fundos obtidos.
''Temos uma arrecadação de R$ 120 a R$ 130 mil mensais que paga folha de pagamento, despesas de aluguel etc e o dinheiro excedente é enviado ao Proamor (fundação de assistência social)'', afirma. Segundo ele, no ano passado foram repassados R$ 130 mil a Proamor.
Em Maringá, um número menor de vagas e funcionários, cerca de 3,2 mil para 80 respectivamente, foi responsável por repasses de R$ 172 mil para fundos de habitação e trânsito. O diretor administrativo da Secretaria de Transportes, Enéas Ramos de Oliveira, espera um repasse maior este ano. ''Tivemos muitos gastos na implantação do sistema que não teremos'', afirma. Lá, o sistema era operado em forma de concessão para uma empresa argentina que utilizava menores na venda dos cartões. ''Era um sistema não confiável que foi considerado ilegal pela Justiça'', diz.
A principal diferença entre esses municípios e o sistema londrinense não está apenas na gerência municipal em virtude da concessão. O comparativo entre os números (veja o quadro) mostra que Londrina tem poucas vagas de estacionamento para muitos agentes. Enquanto um funcionário de Ponta Grossa cuida de 31 vagas, em Londrina a relação é de apenas 5,6 vagas para cada agente.
O padre Lídio Ronam, diretor da Epesmel, entretanto, diz que a diferença está relacionada ao sistema adotado. ''Em Curitiba, o usuário é que tem que ir atrás do talões em pontos de venda, aqui o pessoal tá acostumado a comprar dos meninos'', diz. Segundo ele, se o número de vagas fosse aumentado, o número de garotos também deveria ser modificado. ''Meu interesse não é arrecadar mais é manter os adolescentes'', diz.
O presidente da CMTU, Wilson Sella, também minimizou as diferenças citando a tolerância de 15 minutos em Maringá e Ponta Grossa também há esse fator , o número de vagas em estacionamentos e a questão social. ''Essa é uma atividade assistencial e educativa que atinge 1,2 mil jovens'', compara.


