Sistema tradicional decepciona
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domingo, 21 de dezembro de 1997
Londrina 
Paulo WolfgangNo sistema tradicional, o aluno entrava no curso e tinha uma grande decepção
Rodolfo Mansano, estudanteQuando chegou ao primeiro ano do curso de Medicina da UEL, o estudante Rodolfo Marques Mansano sentiu uma grande decepção. Longe do Hospital Universitário (HU) e só com aulas teóricas no campus, percebeu um grande distanciamento com as atividades que gostaria de exercer como médico. Hoje, aos 20 anos e no terceiro ano da faculdade, foi um dos representantes dos alunos no grupo multiprofissional de 50 pessoas que elaborou o novo currículo.
Diante do ensino tradicional, o aluno entrava no curso e tinha uma grande decepção. Ficava mais no campus com matérias básicas. Não havia integração entre o curso básico e o curso clínico, recorda. Agora acabam as aulas expositivas. O aluno vai buscar o seu conhecimento.
Ele acredita que a falta das disciplinas básicas, como eram ministradas até agora, não vai prejudicar o curso. O laboratório de Anatomia, por exemplo, vai estar à disposição para que os alunos estudem as peças. Mas ele reconhece que o estudo vai depender do interesse do acadêmico.
ElogiosCristiane observa Cristian atender Pedro Henrique: Todos os médicos sempre me trataram muito bem
Rodolfo Mansano diz que, apesar de já ter cursado três anos de Medicina, teve muito pouco contato com pacientes ou com a comunidade. Até agora, a única aproximação foi através das aulas de Semiologia, onde aprende técnicas de exames. Ou como integrante do Projeto Especial de Ensino, Prática Interdisciplinar e Multiprofissional (Peepin), que coloca os alunos em contato com os problemas da população.
Ricardo Borges, 23 anos, interno do 6º ano de Medicina, acredita que as mudanças serão válidas se forem bem aplicadas à prática. Tem muita coisa teórica que a gente esquece. Depois de dois anos é como se não tivéssemos estudado, revela. Christian Yin Shey Lau, 22 anos, interno, espera que a mudança venha para melhorar o curso, mas alerta para o fato de que a biblioteca do CCS não estar suficientemente equipada para tirar as principais dúvidas dos alunos. É preciso ter uma biblioteca com mais livros, atualizada e informatizada.
Noemia dos Santos Sales, 68 anos, que se consultava na última semana no Hospital das Clínicas da UEL com Ricardo Borges, acredita que a relação médico/paciente seja boa. Na opinião dela, o que precisa melhorar é a infra-estrutura do Sistema Único de Saúde, que poderia oferecer exames complexos e ampliar o número de procedimentos.
Cristiane Dmitruk, 22 anos, moradora do jardim Bancários (zona oeste), levou o filho, Pedro Henrique Pacchini, de 3 meses, ao HC para uma consulta com Christian Lau. O bebê passou por uma cirurgia na cabeça e voltou semana passada para uma revisão. Venho aqui desde que ele nasceu e todos os médicos sempre me trataram bem. Não saberia dizer o que precisa ser melhorado.
Elza Souza Rolin Rosa, 38 anos, também diz não ter do que reclamar sobre a relação médico/paciente. Ela levou a filha, Inaiara Regina, de 3 anos, para uma revisão. A menina teve meningite há alguns meses e ficou com grave sequela neurológica. A família mora em um sítio no município de São Sebastião da Amoreira e a mãe conta que teve grande dificuldade para entender o que aconteceu com a criança. Os médicos explicaram no método científico deles. Demorou até eu entender que a sequela é uma lesão cerebral e que só por Deus ela vai voltar à vida normal.
Uma ambulância traz Elza, o filho mais velho e Inaiara de São Sebastião da Amoreira até o Hospital das Clínicas quase todos o meses. Eu já me tornei uma enfermeira por causa da prática. Por isso eu posso dizer que quando o médico trata o doente com carinho, com amor, ele melhora muito mais rápido. Se eu fosse enfermeira em um hospital, cuidaria dos doentes como se eles fossem meus filhos.
(Adriana De Cunto)


