Reduzir em mais de 80% o volume de resíduos domiciliares enviados ao aterro sanitário. Esta foi a solução encontrada pelo município de Ibiporã (Norte) para amenizar um problema que atinge grande parte dos municípios brasileiros: o esgotamento da capacidade de acolher tudo o que é descartado pela população. No caso de Ibiporã, a licença do aterro vence no dia 16 do mês que vem. Até que uma nova área seja licenciada, será usada uma vala que já está sendo construída no atual aterro. Esta providência, somada ao novo sistema de separação e coleta de lixo, dará uma sobrevida ao local, que vinha recebendo de 30 a 40 t de resíduos por dia.
O grande desafio agora é conscientizar a população da importância da mudança de comportamento. Em vez de separar os resíduos em apenas lixo seco e úmido, os moradores estão sendo orientados a dividi-los em três tipos e utilizar três diferentes embalagens para acondicioná-los: uma para materiais recicláveis (saco verde); outra para materiais orgânicos (outros sacos) e uma terceira para rejeitos (saco cinza), que são todo tipo de resíduo que não pode ser aproveitado, como fraldas descartáveis, papel higiênico, absorventes íntimos e papéis sujos.
Todo o lixo orgânico - restos de comida, cascas de frutas, verduras e legumes - será transformado em adubo, por meio do processo de compostagem, pela Kurica/Seleta, empresa contratada para realizar a coleta. Já o lixo reciclável será comercializado pela empresa. Apenas os rejeitos - menos de 20% do volume de resíduos domiciliares - irão para o aterro.
Segundo o presidente do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae), Antonio Nadir Bigati, embora o município tenha iniciado a coleta seletiva há quase uma década, só 10% da população vinha separando o lixo reciclável. Com o novo programa, a coleta dos recicláveis será aperfeiçoada, inclusive por meio de campanha de divulgação que já vem sendo realizada junto à população. Ele explicou que foi firmado um contrato emergencial de 120 dias de duração com a Kurica. ''Em dando certo este modelo de coleta, assinaremos um contrato definitivo.''
O engenheiro Fernando Barros, responsável técnico da Master Ambiental, contratada pela Kurica para planejar e implantar o novo sistema, disse que faz o monitoramento diário da implantação do sistema em Ibiporã. A expectativa, de acordo com o engenheiro, é que ele esteja consolidado em 90 dias.
Aprendizado
Aos poucos, o novo modelo de coleta de resíduos sólidos vai mudando o comportamento dos moradores. A dona de casa Alexandra Fernandes ainda acredita que terá um pouco mais de trabalho daqui para a frente, mas reconhece a importância ambiental da iniciativa que, na sua opinião, vai facilitar o recolhimento dos resíduos. ''Eu me mudei de Ourinhos (SP) para Ibiporã há um mês e lá ainda não é feito este tipo de separação, então para mim é uma coisa nova. Estou aprendendo'', confessou, ao mostrar o grande saco verde cheio de garrafas pet e embalagens recicláveis.
Outra moradora da Região Central, Roseli Aparecida Luís, disse que não terá problemas para se adaptar ao sistema. ''Eu já separava o material reciclável, e agora ficou melhor, porque a gente está recebendo as embalagens. Eu estou gostando, mas tem gente que ainda acha que dá trabalho separar o lixo.''
Serviço - Informações sobre o novo programa pelo fone 0800-400-3013

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