Sistema de transporte já teve 830 assaltos este ano
O assaltante conhecido como Vesguinho tem comandado vários asaltos a ônibus em Curitiba e Região Metropolitana, tendo sido reconhecido por cobradores e motoristas. A prisão dele é a primeira ação efetiva da polícia nesta área depois dos 830 assaltos a ônibus e estações-tubo registrados desde o início deste ano - média de 5,72 assaltos por dia.
Desprotegidos e assustados com a ousadia dos bandidos, os 4.746 motoristas e 4.759 cobradores que trabalham no sistema de transporte coletivo urbano e metropolitano ameaçam deixar seus empregos. O trabalho em estações-tubo antes era motivo de orgulho para os cobradores. Agora, representa uma ameaça, diz um integrante do sindicato da categoria, que prefere não se identificar.
Da segunda quinzena de abril até ontem, a Auto Viação São José, que opera a linha Curitiba-São José dos Pinhais, na qual o motorista Antônio Leone Cardoso foi morto, registrou queixa de dez assaltos. Somente após o assassinato a polícia iniciou investigações, prendendo Vesguinho rapidamente. Pedimos várias vezes uma viatura policial, desta vez tivemos que pedir um carro funerário para um dos nossos funcionários, lamenta um gerente da Auto Viação São José, que prefere manter-se no anonimato, dizendo temer represálias.
A Urbs, empresa que administra o sistema de transporte coletivo de Curitiba, tem mantido várias reuniões com a Polícia Militar, visando desenvolver ações conjuntas que garantam a segurança de motoristas e cobradores. Nos últimos dois meses, foram realizadas cinco reuniões. As exigências da PM de revezamento de cobradores, instalação de microcâmerasde vídeo e mudanças de turnos, já começaram a ser atendidas, segundo a Urbs, sem que a contrapartida do aumento de policiamento tenha ocorrido.
A Urbs pretende adotar novas medidas para dar mais segurança aos usuários do sistema. Vamos agilizar a comunicação dos assaltos à Polícia Militar para que o atendimento seja mais rápido, em meia hora, no máximo, diz o diretor da empresa, Euclides Rovani. Nós precisamos ainda que a população colabore e denuncie os assaltantes, pede Rovani, que ontem se reuniu novamente com os oficiais do Comando de Policiamento da Capital (CPC).





