Curitiba O Sistema de Assistência à Saúde (SAS), que atende os servidores públicos do Paraná desde 2001, está gerando polêmica entre sindicatos da categoria e usuários. O plano, que substituiu o antigo Instituto de Previdência do Estado (IPE), atende por meio de hospitais conveniados. Contudo, alguns usuários e sindicatos de Curitiba, onde o sistema serve a 123 mil pessoas, reclamam da demora e dizem que o atendimento é pior do que IPE. De acordo com dados da Secretaria de Estado de Administração e Previdência, hoje o Paraná conta com hospitais conveniados ao SAS em 17 cidades e deve ampliar para 42 até o final de julho.
''Cheguei no Hospital Evangélico (o único que atende emergências pelo SAS em Curitiba) às 21 horas passando mal e fui embora sem ser atendida. Voltei no outro dia às 9 horas e fui atendida às 13 horas porque briguei. O atendimento dos médicos é muito bom. Mas dá para perceber que até eles ficam desesperados com tantos pacientes'', conta uma funcionária pública de Curitiba, que preferiu não se identificar por medo de retaliação e que teve diagnosticada pneumonia. Para os usuários do sistema, o hospital, que atende também o Sistema Único de Saúde (SUS) e convênios particulares, não ampliou sua estrutura para receber os pacientes emergenciais do SAS.
No dia 23 de abril a funcionária pública estadual Solange Pavloski precisou de atendimento de emergência para a sua filha de um ano e três meses, que estava com febre. Ela preferiu recorrer ao posto de saúde da prefeitura a esperar no hospital. ''Com o IPE, tínhamos um posto de saúde para o funcionalismo e o atendimento era bem mais ágil. Além disso, se precisasse, os pacientes eram encaminhados para diversos hospitais conveniados'', lembra. ''Como que eu vou colocar uma criança com febre alta para esperar por atendimento no meio de todo os tipos de emergências?''
Em Curitiba, além do setor de emergências do Evangélico, os pacientes contam com a estrutura do antigo Hospital Paciornik, alugado pelo próprio Evangélico, para atendimento ambulatorial. Os policiais militares têm um hospital próprio para o atendimento.
''No ano passado o governo apresentou uma proposta, que viraria projeto de lei, para retomar o IPE Saúde'', afirma o presidente do Sindicato dos Professores do Paraná (APP-Sindicato), José Lemos, que faz parte da coordenação do Fórum dos Servidores Públicos. Segundo Lemos, o sindicato recebe reclamações do Estado todo quanto à demora no atendimento, além do fato de o sistema não cobrir alguns procedimentos.
''Quando o governador Roberto Requião (PMDB) afirmou na sua campanha eleitoral que o IPE iria voltar houve grande expectativa entre os servidores. Mas não aconteceu a retomada do sistema e os funcionários públicos começaram a reclamar'', conta a coordenadora do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Curitiba (Sindisaúde).

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