O sistema de pesagem do lixo instalado no ‘‘Lixão’’, zona leste de Londrina, deve ser substituído ‘‘imediatamente’’ por ser arcaico e não ‘‘confiável’’. A informação foi passada pelo auditor do Município, Sadi Chaiben, ao entregar ontem à tarde ao prefeito Jorge Scaff (PSD) o relatório da auditoria realizada no ‘‘Lixão’’. Ao contrário do que anunciou, a prefeitura voltou atrás e não divulgou a conclusão final do relatório, um documento com 170 páginas.
O prefeito afirmou que primeiro enviaria o documento ao procurador jurídico do município, Arão Moreira dos Santos Neto. Chaiben, por sua vez, revelou apenas algumas irregularidades constatadas nos 35 dias – de 25 de setembro a 31 de outubro – em que 22 auditores aferiram a pesagem do lixo diuturnamente.
Entre as irregularidades divulgadas por Chaiben, está o fato do sistema de pesagem ser facilmente adulterado e a balança estar desregulada, apresentando uma diferença de 10%. No entanto, esta diferença, segundo Chaiben, não interferia na pesagem do lixo já que o caminhão da Vega Sopave era pesado na entrada e saída do ‘‘Lixão’’.
‘‘Só os caminhões de terceiros eram pesados, antes da auditoria, apenas na entrada’’, explicou. Nestes casos a pesagem era alterada em 10% a mais da quantidade real de lixo. ‘‘Estes caminhões representam uma quantidade muito pequena de lixo coletado, chegando no máximo a R$ 300,00’’, afirmou o auditor do município. Quanto à mudança de sistema, Chaiben disse que já está em andamento um estudo para a pesagem on-line do lixo de Londrina.
Os auditores também verificaram que, durante o mês de outubro, a Vega Sopave realizou um número maior de viagens do que no mês de setembro. Durante o período da auditoria, fundos de vale e assentamentos, que antes não tinham o serviço, passaram a ter o lixo coletado pela empresa.
Chaiben não quis comentar se com isto a empresa tentou encobrir uma diferença entre a quantidade de lixo que ela costuma coletar e o quanto cobra. Ele afirmou apenas que a empresa queria ‘‘justificar a pesagem do lixo’’, mas que os auditores realizaram a média de lixo pesado no ‘‘Lixão’’ excluindo as viagens a mais efetuadas pela Vega Sopave.
‘‘Queremos fazer um quadro comparativo de 1998 até 2000’’, explicou. Quanto ao ímã encontrado na balança pelos auditores, Chaiben disse que não interferia na pesagem já que estava na parte de trás do equipamento e não na régua.
Na época em que o ímã foi encontrado, todos funcionários da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) que trabalhavam no local foram afastados e um inquérito policial foi instaurado no 6º Disrito Policial (DP) pelo delegado Algacir Ramos. Amanhã ele ouvirá os auditores da prefeitura e, na semana que vem, os do Ipem.

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