Os moradores de sete bairros da zona leste de Londrina terão em breve um sistema de esgoto tratado. A ordem de serviço foi assinada ontem pelo prefeito Antonio Belinati (sem partido), pelo diretor de operações da Sanepar, Jean Marie D’Aspe, e por representantes da Pavibrás, empresa responsável pela execução das obras. Os bairros que serão atendidos são os jardins Antares, Novo Antares, Tomy, São Pedro, Graziela, Brasília e Aeroporto.
Marcos BorgesIrmãos Valdir e Wener: seis fossas no quintalA implantação do sistema de esgoto é uma reivindicação antiga dos moradores da região. As obras já começaram, mas o sistema de esgoto só estará pronto daqui a sete meses, possivelmente em julho de 99, se não houver nenhum contratempo. ‘‘Cerca de sete mil moradores serão beneficiados com a ampliação do sistema de tratamento de esgoto. Isto era uma obra prioritária para a região’’, disse o gerente metropolitano da Sanepar, Paulo Kishima. O valor do investimento é de R$ 1,26 milhão, com recursos próprios da Sanepar.
A obra terá 15 mil metros de rede coletora, 6 mil metros de interceptores, uma elevatória de esgoto composta de 2 bombas submersas e 1.587 ligações prediais. O esgoto coletado na zona leste será todo tratado na estação da zona sul da cidade.
Quase todas as casas da região possuem mais de uma fossa. Os moradores ficaram satisfeitos com a chegada do esgoto, mas reclamaram do tempo que o sistema levará para começar a funcionar. ‘‘Vixe Maria! Só no ano que vem vai terminar? Então terei que abrir outra fossa na rua’’, disse Maria Elisa da Silva, que mora há 12 anos com a família no local e já abriu três fossas no terreno de 370 metros quadrados de sua casa. ‘‘A última já está quase cheia e não tenho mais espaço para abrir outra’’, disse.
Marcos BorgesJean D’Aspe assina contrato, ao lado de BelinatiOs irmãos Valdir e Werner Santana, que moram na primeira casa do bairro da Cervejaria, construída pelo avô há mais de 60 anos, já abriram seis fossas no terreno. ‘‘Moramos aqui nestas duas casas em seis pessoas. Aqui no quintal não tem mais espaço para abrir fossa’’, disse Valdir. Uma fossa ainda continua aberta no terreno da família.
A luta dos moradores, agora, é por um posto de saúde. ‘‘Demorou mas está chegando (o esgoto). Precisamos agora é de um posto de saúde. A prefeitura construiu em todos os bairros aqui do lado. Para nós nada’’, disse Clarice Ferraz Ortiz, que mora há 8 anos no bairro.
De acordo com Kishima, a Sanepar também está trabalhando em outros bairros para ampliar a rede de esgoto da cidade. Segundo ele, hoje 60% de Londrina conta com o sistema de esgoto que até o ano 2000 atingirá 80% da população.

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