Sistema de cotas transforma universidade
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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
O sistema de cotas implantado em 2005, que reserva até 40% das vagas de cada curso para candidatos oriundos de escolas públicas e a metade deste percentual para aqueles que autodeclararem pretos ou pardos, está transformando a Universidade Estadual de Londrina (UEL). Sem contar os aprovados no vestibular deste ano, o total de cotistas matriculados na instituição chega a 4.201.
No final de 2009, o relatório anual sobre o sistema de cotas feito pela Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) e a Comissão Permanente de Acompanhamento e Avaliação da Política de Cotas apontou que, embora tenham um desempenho em notas um pouco abaixo do restante dos colegas, o índice de desistência entre os cotistas é bem menor em comparação com os não cotistas. Um reflexo que o aluno cotista valoriza o ensino superior e percebe nele uma possibilidade real de crescimento intelectual e social, avalia a diretora de Assuntos Acadêmicos da Prograd e presidente da Comissão de Avaliação, Martha Marcondes. ''Eles têm maior dificuldade de aprendizagem, mas não desistem facilmente'', valoriza a professora.
Martha afirma que os cotistas contribuíram para mudar a forma de ação da universidade neste começo de século. Hoje, os professores têm que não só lidar com as diferenças, mas também encontrar maneiras diversificadas de educar para abranger todas as realidades sociais presentes em sala de aula. Ela aponta que os colegiados dos cursos estão preocupados com esta nova demanda que surgiu com as cotas. ''O ingresso e a permanência dos alunos de escola pública e negros e pardos já estão garantidos. O que temos que lutar agora é para oferecer oportunidades na universidade para quem tenham também sucesso profissional'', destaca.
Por isso, Martha reflete que as cotas não deverão ser extintas em 2011, ano em que está prevista uma reavaliação pormenorizada do sistema. ''Políticas de ações afirmativas como esta têm que ter prazo definido. Neste caso, no entanto, acredito que temos que nos aprimorar no sentido de abranger as desigualdades sociais e garantir o acesso dos mais carentes, sejam eles brancos ou negros'', afirma. ''Educação é um direito garantido pela Constituição e, portanto, tem que ser democratizado de tal forma que todos tenham acesso'', complementa.
A Pró-Reitora de Graduação da UEL, Fátima Cristina de Sá, reforça que o desempenho dos cotistas é ''satisfatório'' e que os estudantes conseguem acompanhar a performance dos não cotistas, com médias equivalentes ou até superiores, em alguns cursos. ''Dados nos mostram que esse acesso à educação por meio das ações afirmativas, pode confirmar uma tendência, ou seja, a desigualdade no acesso à educação entre pretos e brancos pode praticamente acabar em 15 anos, se for mantido o ritmo atual de entrada de estudantes negros nas universidades públicas e privadas.''


