'Sistema de Caixinha' é utilizado para amenizar problema
Sistema de Caixinha é utilizado para amenizar problema Mário CésarOsmar José de Almeida, vice-diretor de estabelecimento de ensino: fragilidade da encadernação dos livros didáticos não permite que eles durem três anos, como quer o Ministério da Educação As propagandas do governo federal para a conservação dos livros didáticos garantem que nenhum aluno de 1ª a 8ª séries ficará sem estes materiais. Segundo a funcionária do setor de gerência do livro didático do Ministério da Educação, Sônia Coelho, serão distribuídos 72.616 milhões de livros para cerca de 33 milhões de alunos. Ela afirma que grande parte deste volume já foi postado e está a caminho das escolas. Falta apenas uma editora que está concluindo a distribuição, o que equivale a mais ou menos 90 mil exemplares, afirma. Segundo ela, Londrina deverá receber 81 mil livros das disciplinas básicas matemática, português, geografia, história e ciências. As propagandas trazem também um número com discagem gratuita para o qual as escolas devem ligar caso faltem materiais didáticos. Só que a realidade das escolas públicas em Londrina demonstra que a distribuição não é garantida para todos os alunos. Uma grande parte delas trabalha anualmente com um déficit de livros didáticos. Em algumas a situação é crítica, chegando a faltar milhares de livros. Supervisores das escolas que enfrentam este problema reclamam que o MEC se baseia no censo do ano anterior à aquele em que o pedido é feito. Fazemos os pedidos em meados de 1999, mas como o censo de 1999 ainda não está pronto nesta época, utiliza-se o de 1998, confirma Laudelina Leocádio da Vanço, supervisora da Escola Municipal Corveta Camaquã, no Parque Alvorada, zona oeste de Londrina. A diferença entre o censo realizado e o número de matrículas é coberta pelo MEC, segundo Lulica Ono Suzuki, assistente-técnica do Núcleo Regional de Educação. Nestes casos as escolas devem fazer solicitações através de ofício ao Núcleo, que repassa ao MEC. A informação que temos é que estes livros serão mandados e sem muita demora porque as aulas já começaram. Mas, na prática, as escolas não viram resultado nem mandando ofício para o Núcleo, nem ligando para o número veiculado nas propagandas. A gente liga no MEC para cobrar, eles dizem que já foi postado e que está chegando, mas no ano retrasado e no ano passado não vimos estes livros, afirma Rosângela Naldos, da Escola Rio Branco. Ela conta que a situação se agrava ainda mais porque o MEC também não faz a restituição dos livros danificados e daqueles que os alunos não devolvem. E mesmo a remessa prevista pelo MEC muitas vezes não recebemos sob alegação de que os Correios estão atrasados na distribuição. Diante de tantas dificuldades as escolas buscam alternativas próprias para driblar a defasagem de livros didáticos. A Escola Rio Branco, por exemplo, onde faltam livros de português, matemática e geografia para diversas séries, adere ao sistema da caxinha utilizado também por outras escolas. Rosângela Naldos explica que os livros não são distribuídos para os alunos. Os professores de cada disciplina os colocam em uma caixa que carregam de turma em turma. Acabou uma aula os livros são recolhidos e levados para a aula na outra turma. Na Escola Municipal Corveta Camaquã, este ano faltam 35 livros para uma turma da primeira série. Todo ano temos uma turma que não recebe todos os livros, afirma Laudelina da Vanço, a supervisora da escola. A saída, segundo ela, tem sido tentar conseguir os livros que faltam com outras escolas. Quando não é possível a escola monta apostilas com cópias dos livros. Segundo a supervisora, esta alternativa gera o inconveniente de a criança se sentir discriminada por trabalhar com apostila, enquanto os colegas recebem os livros. Das escolas procuradas pela Folha apenas a Escola Municipal Bárbara Vieira, do Jardim União Vitória, na zona sul, recebeu todos os livros, segundo a auxiliar de direção Sueli Vieira de Souza Faria. (E.P.)





