Já está em atividade nos hospitais do Paraná a segunda versão do Sonih (Sistema Online de Notificação de Infecções Hospitalares). Pioneiro no país, o sistema desenvolvido pela Celepar (Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná) possibilita a obtenção de dados das Iras (infecções relacionadas à assistência à saúde) em tempo real. A nova versão permitirá identificar as infecções pelo perfil de resistência das bactérias aos antibióticos em cada hospital do Paraná, serviço inédito no país.

Atualmente, 360 hospitais notificam mensalmente no Sonih e as informações do sistema são públicas, com boletins semestrais. Os dados colocam o Paraná como um dos estados que mais notifica o indicador nacional de Iras da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Patrícia Capelo, coordenadora do controle de infecção hospitalar da Sesa (Secretaria Estadual de Saúde), explica que o sistema tem o objetivo de coletar rapidamente as informações dos hospitais do Estado. A vantagem de oferecer uma ferramenta fácil de alimentar é conseguir informações atualizadas sobre as infecções hospitalares e assim gerar dados para análise. "O sistema baliza o que o Estado quer e os dados que o hospital manda. Dessa forma conseguimos produzir informação pública para gestão dos serviços", opina.

A nova versão do Sonih passou a permitir o monitoramento de infecções de acordo com o local onde ocorrem os procedimentos (sítio cirúrgico) e por especialidade cirúrgica. "Um hospital que faz cirurgias ortopédicas, por exemplo, apresenta determinado padrão de infecções relacionado à especialidade. Com o registro, é possível tomar as ações específicas para cada área", diz.

Outra vantagem é que os hospitais terão que notificar o micro-organismo que provocou a infecção, garantindo a tomada de medidas mais específicas para combatê-la. "Se identificamos que uma UTI tem muita incidência de infecção por um mesmo agente, será necessária uma ação específica para eliminá-lo. Quando o tratamento não é adequado, há risco de incentivar o aumento de ocorrências", adverte, lembrando que conhecer a realidade garante a adoção de medidas preventivas mais eficientes.

Capelo esclarece que o monitoramento é feito apenas em UTIs, onde ocorrem a maioria dos procedimentos invasivos. Semestralmente, a Sesa emite um boletim com os dados coletados em UTIs geral adulto, cardíaca, cirúrgica, pediátrica e neonatal. O maior universo de infecções está nas UTIs gerais adultas. Nestes locais, segundo ela, a infecção que mais aparece é a PAV (pneumonia associada à ventilação mecânica). Também são monitoradas IPCSL (infecção primária de corrente sanguínea laboratorialmente confirmada) e ITU (infecção de trato urinário associado a sonda vesical de demora).

Imagem ilustrativa da imagem Sistema aprimora coleta de dados sobre infecção hospitalar



INCIDÊNCIA
Em 2015, nas UTIs gerais, a Sesa registrou 20,7 infecções de PAV para cada mil ventilações mecânicas dia. Em 2016, o índice foi de 21,7. Já em relação à IPCSL, foram 7,1 infecções para cada mil cateteres venosos centrais dia em 2015 e 6,2 casos no ano seguinte. Por fim, as ITU totalizaram 5,6 infecções para cada sonda vesical dia, em 2015, e 6,5 em 2016.

O Sonih abrange todos os 399 municípios do Paraná e os dados gerados pelo sistema referem-se aos hospitais públicos e privados de todo o estado. Infecções hospitalares podem ocorrer em qualquer serviço de saúde. Muitas vezes seu surgimento está relacionado às condições de higiene no local. Para diminuir o risco de infecções, medidas simples devem ser adotadas por profissionais de saúde, pacientes e visitantes, como por exemplo lavar bem as mãos.

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