Sinttrol admite suspender decisão de greve
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 09 de junho de 2005
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Um dia depois de anunciar a opção pela greve - ratificada pelo voto de mais de mil dos 1,2 mil servidores e com previsão de ser iniciada na próxima segunda-feira - o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Londrina (Sinttrol), João Batista da Silva, admitiu que a paralisação pode ser adiada ou mesmo suspensa, graças a um abaixo-assinado que reúne as rubricas de funcionários dispostos a manter as negociações com as empresas de transporte coletivo de Londrina. A decisão foi anunciada por Silva ontem e pode ser confirmada hoje, às 14 horas, após a realização de uma mesa redonda mediada pela Delegacia Regional do Trabalho.
A existência do abaixo-assinado foi divulgada ontem à imprensa durante uma coletiva concedida pelo diretor executivo da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), Gildalmo Mendonça, e pelo diretor administrativo da Francovig, Francisco Henrique Francovig. Além de citarem o documento, os diretores reafirmaram a posição das empresas frente à possibilidade de paralisação, para o qual se mostraram surpresos.
Segundo os diretores, a escolha pela greve foi anunciada após a realização de somente uma rodada de negociações, realizada no fim de maio. ''Nesta reunião o sindicato até se mostrou satisfeito com a nossa proposta do pagamento de um abono de 9% sobre os salários de julho a dezembro, dividido em duas parcelas. Este percentual seria inclusive incorporado ao salário junto com o próximo reajuste de tarifa'', destacou Mendonça. Além do abono, as empresas ofereceram a manutenção dos salários. Hoje, os motoristas do transporte coletivo de Londrina recebem R$ 1.077 mensais e os cobradores, R$ 668. Os 9% de abono, segundo Mendonça, são superiores à inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), de 6,61% até abril.
Ainda de acordo com os diretores, o abaixo-assinado foi organizado pelos próprios funcionários. ''Na nossa empresa, 70% dos servidores querem a continuidade das negociações sem paralisação. Em todo o sistema, temos certeza de que a adesão é de mais de 50%'', disse Francovig. ''Estranhamos que a assembléia tenha decidido pela greve e acreditamos que isso tenha acontecido por falta de mais opções na cédula de votação, que oferecia ou a aceitação da nossa proposta, ou a paralisação, sem possibilidade de mais negociações'', completou Mendonça.
O presidente do Sinttrol admitiu a exitência do documento e, apesar de garantir que os funcionários teriam sido coagidos a assiná-lo, disse que o abaixo-assinado pode influenciar a comissão de greve do sindicato a adiar, ou mesmo suspender, a paralisação. ''Conversamos com vários motoristas e cobradores que disseram ter sido ameaçados. Tiveram que concordar com as assinaturas. Vamos receber o abaixo-assinado e, se o volume de rubricas for grande, poderemos reconsiderar a escolha pela greve, independente do resultado das conversações de amanhã (hoje)''.


