Cesar AugustoRiscos de erroA enfermeira Nádia Takemura: ‘Só o exame laboratorial vai confirmar ou não a suspeita de dengue’Durante uma simples consulta ou apenas um exame clínico, dificilmente um médico saberá diferençar a dengue da gripe, porque os sintomas das duas doenças são muito parecidos. A afirmação é da enfermeira sanitarista Nádia Souza Takemura, do setor de epidemiologia da Autarquia Municipal de Saúde. Segundo ela, os principais sintomas presentes nas duas doenças são a febre, dores musculares, dor nas articulações, dor de cabeça, dor ao redor dos olhos e moleza no corpo.
‘‘Os sintomas se parecem, se misturam, se confundem muito nas duas doenças; até porque algumas pessoas têm um quadro infeccioso mais leve ou mais agudo que outras, dependendo das condições físicas e de saúde de cada uma delas’’, comenta Nádia Takemura. ‘‘Assim, há o risco de uma pessoa pegar a dengue, curá-la e não ficar sabendo que teve a doença. Por isto, é importante que todos os que tenham alguns destes sintomas procurem um posto de saúde para o exame laboratorial. Só ele vai confirmar ou não a suspeita de dengue.’’
O exame de sangue é gratuito e está à disposição em todas as unidades de saúde. Os 5 mililitros de sangue retirados são enviados ao laboratório central da Secretaria Estadual de Saúde, em Curitiba, e o resultado da análise fica pronto em três dias. Quando a dengue ataca com maior intensidade, aparecem outros sintomas não presentes em uma gripe: dores abdominais, sangramento pelo nariz, aumento no tamanho do fígado e prostação - aquela vontade de ficar o tempo todo deitado.
O maior risco de se confundir a dengue com a gripe é que a pessoa novamente infectada pelo vírus da dengue - são, ao todo, quatro tipos - pode desenvolver a dengue hemorrágica. É o estágio mais grave da doença - provocado pelo vírus do tipo 2 - e pode levar à morte. ‘‘Quando a pessoa é infectada pela dengue, mesmo que ela não saiba disto, ela cria anticorpos e passa a estar imune àquele tipo de vírus. Mas resta ainda o risco de uma nova infecção, por um dos outros três tipos de vírus existentes. E a segunda infecção é quase sempre mais grave que a primeira’’, ressalta a enfermeira sanitarista.
Segundo ela, a primeira dengue contraída normalmente é superada espontaneamente em cerca de uma semana, no máximo dez dias. ‘‘Não há remédio específico para a dengue. A pessoa se cura com repouso e hidratação normal. Só em caso de complicação é que o médico prescreve algum medicamento especial e a aplicação de soro’’, diz Nádia Takemura.
Em Londrina, a quase totalidade da incidência de casos da dengue foi provocada pelo vírus clássico, do tipo 1. Neste ano, apenas seis casos de dengue foram confirmados por exames laboratoriais, em 128 casos notificados como suspeitos. Destes, segundo a Fundação Nacional de Saúde, dois casos foram provocados pelo vírus do tipo 2. As duas pessoas infectadas reagiram bem e não sofreram maiores consequências da doença.
Na Cidade, foram registrados 401 casos de dengue em 1996, e nenhum caso positivo da doença em 97. Ninguém morreu até hoje vítima da doença transmitida pelo mosquito aedes aegypti. Os exames laboratoriais conseguem detectar no sangue, até dois meses depois de passados os sintomas, se a pessoa suspeita havia ou não sido infectada pelo vírus da dengue.
‘‘Na dúvida, o melhor caminho é fazer o exame laboratorial. Não devemos ser enganados pelas aparências, pelos sintomas parecidos. Não podemos ficar iludidos de que tivemos somente mais uma gripe, e submetidos ao risco de contrair a dengue pela segunda vez. Aí, o quadro da doença pode se agravar e trazer resultados muito perigosos’’, afirma Nádia Takemura. Ela lembra que, em Londrina, os mosquitos transmissores têm sido encontrados principalmente nas águas limpas de vasos de flores - nas casas, lojas, clubes etc. - e em garrafas e latas jogadas em quintais.

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