Entre eles, os índios encontrados no acampamento de Rolândia conversam somente na língua indígena. Os pregadores de roupas feitos de bambu também indicam traços da preservação da cultura Kaingang. Os dentes limados (pontiagudos) do líder do grupo, Silvio Pereira, ressaltam o orgulho que ainda corre nas veias dos descendentes dos primeiros habitantes do Paraná. Por isso, é impossível não fazer o questionamento: por que eles insistem em perambular pelas ruas das cidades se têm uma reserva de 5,5 mil hectares em Tamarana?
Com a palavra, Silvio Pereira: ''O nosso plantio na aldeia não dá nada. Temos que vir para a cidade vender balaios para ganhar mais um pouco. Mas eu não gosto disso. Me sinto envergonhado de ficar na cidade, embaixo de barracos. Eles (os brancos) falam que a nossa terra é grande e que a gente não faz nada lá. Os mais velhos sabiam mexer bem com a semente, mas nós já não sabemos.''
Questionado sobre o dinheiro de uma compensação pelos danos causados pela instalação de uma usina hidrelética na reserva de Tamarana que os kaingang receberam recentemente da Copel, Pereira disse que não tem autorização do cacique para falar desse assunto.

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