O Sindicato dos Professores das Escolas Particulares de Londrina e Norte do Paraná (Sinpro) está denunciando instituições particulares de ensino superior por atrasos nos pagamentos dos salários dos professores e descumprimento das leis trabalhistas. Em anúncio publicado na Folha na semana passada, o sindicato nomeia a Faculdade Cristo-Rei (Faccrei) de Cornélio Procópio e a União Norte Paranaense de Ensino (Uninorte), de Londrina.
As duas faculdades estariam descumprindo acordo coletivo firmado entre o Sinpro e o Sindicato das Escolas Particulares (Sinepe) e também acordo firmado individualmente entre o Sindicato dos Professores e as instituições. As duas instituições de ensino teriam sido chamadas para negociações, mas, segundo o sindicato, romperam o acordo reiteradamente. Foi feita denúncia à Delegacia Regional do Trabalho (DRT).
No caso da Faccrei, o sindicato denuncia que a situação se agravou nos três últimos meses. Segundo a assessoria de imprensa do Sinpro, a instituição chegou a demitir professores que se pronunciaram em uma assembléia realizada no mês de julho. ''Até hoje eles não receberam o salário de junho e nem as verbas rescisórias. Foi uma espécie de castigo, porque foram demitidos um dia antes de recomeçarem as aulas, o que impediu que arrumassem novo emprego'', informou o sindicato.
O advogado Horácio Pagano trabalhou na instituição até outubro do ano passado, quando se desligou por não concordar com a mudança segundo ele feita à sua revelia no contrato de trabalho. ''Eu recebia por hora-aula e passei a receber como mensalista. A faculdade me consultou sobre a mudança e eu disse que não concordava. Mesmo assim a mudança foi feita.''
O presidente do Sinpro, Eloir Martins Valença, disse que outras três instituições da região também apresentam problemas. ''Temos mais de 100 professores com salários em atraso.'' O sindicato planeja fazer manifestações junto à comunidade e nas próprias instituições para levar a público a situação enfrentada pelos professores.
O diretor geral da Faccrei, José Antonio Conceição, afirmou que uma das causas da crise financeira da instituição são os problemas enfrentados na agricultura. ''Infelizmente sobrevivemos apenas das mensalidades dos nossos alunos, e muitos deles são filhos de agricultores e estão em atraso com o pagamento da faculdade. Nosso objetivo é colocar as contas em ordem o mais rápido possível.''
Conceição informou que estão em atraso o 13º, o salário de janeiro e as férias de alguns funcionários. O diretor também negou que demissões tenham sido feitas por retaliação. ''As demissões foram a pedido dos coordenadores de curso, por questões inerentes ao ensino.''
Ele informou ainda que já foi feita uma assembléia com os professores, que resultou em um acordo. ''A instituição se comprometeu a pagar os salários atrasados parceladamente nos próximos meses e evitar que novos atrasos aconteçam daqui para a frente.''
Outro professor da instituição, que prefere não se identificar, revelou que a proposta de pagamento feita pela instituição foi de parcelamento em nove vezes, a partir de abril. ''Lógico que ninguém saiu satisfeito, mas ficamos entre a cruz e a espada. Se não aceitássemos, seríamos demitidos.''
O diretor de comunicação e relações institucionais da Uninorte, Alisson Carvalho, disse que a direção da faculdade ficou surpresa com a publicação do anúncio, já que, segundo o diretor, em nenhum momento a instituição se furtou de dialogar com o sindicato e com os professores. Ele admitiu que a faculdade enfrentou problemas financeiros no passado e disse ainda não poder afirmar se persistem pendências salariais com os professores. ''O que posso dizer é que não temos dívidas profundas. Nossa faculdade é sólida e está fazendo as adequações necessárias com bastante serenidade'', concluiu.

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