Dimitri do Valle
Os canteiros de obra de 100 empresas de Curitiba se transformaram num laboratório para tentar diminuir o número de acidentes de trabalho. Desenvolvido pelo Sindicato das Empresas da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR), o Programa de Saúde e Segurança (PSS) ganhou um aliado para agilizar a transmissão de informações aos trabalhadores: uma unidade móvel equipada com sistema de som e vídeo.
Por cerca de uma hora, os operários recebem conhecimentos de como usar corrretamente os equipamentos individuais de segurança, dicas de como aumentar a produtividade e formas de manter a qualidade dos serviços prestados na obra. O programa não é desenvolvido apenas na capital. O Sinduscon de Londrina, Foz do Iguaçu e Cascavel também dispoem de suas unidades móveis que foram adquiridas através de convênio firmado com a Copel, Delegacia Regional do Trabalho e o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea). O PSS é desenvolvido há quatro meses e existe a previsão para a compra de mais quatro veículos.
O técnico em segurança do Sinduscon, Rivair Batista, lembra que não são apenas conhecimentos técnicos que servem de base às palestras nos canteiros de obra. ‘‘Procuramos falar de como é importante que ele tenha cuidado no trabalho, pois isto vai acabar refletindo na sua vida familiar’’, explica. Batista enfatiza ao trabalhadores que vícios como o fumo e o álcool são fatores que podem prejudicar o desempenho profissional dos operários. ‘‘Eles têm que entender que são os artistas da construção civil’’, compara.
Na tarde de ontem, foi a vez de cerca de 50 operários da Construtora Dória conhecer o PSS. Os trabalhadores suspenderam as atividades por aproximadamente uma hora na rua Lourenço Pinto, no centro de Curitiba. Pedro Inácio dos Santos, 47 anos, confessa nunca ter tido acesso a um programa sobre segurança no trabalho. ‘‘Antigamente não tinha nada disso’’, conta o operário que está há 29 anos no setor da Construção Civil. Pedro, que já perdeu um irmão no ramo e teve outro que ficou paraplégico, relata que quase perdeu a vida há 17 anos.
O trabalhador estava escavando um buraco que serviria para erguer um muro de arrimo de um prédio. Houve um deslizamento de terra, mas Pedro teve a sorte de sair momentos antes ao acidente para buscar uma ferramenta. ‘‘Escapei da morte, mas sempre procurei me cuidar’’, disse.

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