Síndrome atinge professores
Juliana De Mari
Especial para a Folha
Cerca de 30% dos professores da rede pública do Paraná apresentam sintomas da Síndrome de Burnout, doença que atinge principalmente profissionais da área de saúde, policiais e professores. O Paraná está em terceiro lugar no ranking dos Estados mais afetados no País. O índice foi revelado no início do ano através de uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) em parceria com a Universidade de Brasília (UnB).
Os pesquisadores percorreram as escolas da rede pública de todo o País em 97 e 98. Foram entrevistadas 52 mil pessoas, entre professores e funcionários de escolas da rede pública. No Paraná, a pesquisa foi realizada nas cidades de Londrina, Guarapuava, Cascavel e Região Metropolitana de Curitiba e entrevistou cerca de 2 mil pessoas.
Difícil de ser identificada, os sintomas podem ser confundidos com estresse. A principal diferença é que a síndrome se manifesta como uma insatisfação no trabalho. Desinteresse pelo trabalho, cansaço físico e desgaste emocional são alguns sinais da manifestação da síndrome, que pode provoca aumento de queixas físicas. No Paraná, as doenças nervosas são responsáveis por 10% dos pedidos de afastamento de professores da sala de aula, só perdendo para a licença maternidade.
Os professores se tornam apáticos e sem vontade de trabalhar, começam a faltar com frequência e não vêem mais sentido na profissão, explica o professor Alcides Vergara, do Departamento de Psicologia Social da Universidade Estadual de Londrina, responsável técnico pela pesquisa da CNTE no Paraná. As consequências podem ser várias, desde a desmotivação até desistência de alunos.
Segundo Vergara, a incidência da síndrom entre os professores é muito elevada. Como não há tratamento para os casos, a intenção é de promover cursos sobre prevenção.
De acordo com o coordenador do Laboratório de Psicologia do Trabalho da Unb, Vanderlei Codo, práticas como psicoterapia ou atividades físicas poderiam agravar o quadro dos doentes. Isso só esconderia a sujeira para baixo do tapete. O segredo está na valorização o trabalho dos professores por toda a comunidade, diz. Ele acrescenta que só um aumento de salário não resolveria o problema, mas seria um incentivo, já que significa reconhecimento do profissional.
Atualmente, a média salarial dos professores no Paraná é de R$ 350,00 mensais por uma carga horária de 20 horas por semana. Salas superlotadas, sobrecarga de trabalho, falta de capacitação profissional são alguns dos fatores de má condição de trabalho que podem desencadear a síndrome. O termo burnout, proveniente do inglês, significa perder a energia.





