A Síndrome do intestino irritável, doença relacionada ao mal funcionamento do trato digestivo, atinge quatro vezes mais as mulheres do que os homens. A informação é do médico gastroenterologista José Antônio Gorla Junior, de Londrina, destacando que ainda não se sabe o motivo pelo qual isso acontece. Porém, alguns indícios dão pistas do que pode provocar esse fenômeno. ''Os sintomas pioram no período menstrual, o que pode indicar que existe uma correlação com o sistema hormonal'', relata.
Gorla Junior explica que esse maior índice entre as mulheres pode estar relacionado ao fato delas recorrerem mais aos médicos do que os homens, ou que elas são mais restritivas em relação ao uso de sanitários públicos que o sexo oposto. ''Há também outra hipótese que relata que embora elas sejam mais preparadas para suportar a dor, o limiar para essa dor é mais baixo que o dos homens'', analisa.
A Síndrome do intestino irritável é um conjunto de manifestações gastro-intestinais crônicas ou recorrentes e até onde se sabe não estão relacionadas a qualquer alteração bioquímica ou estrutural. Segundo o médico gastroenterologista Clovis Kuwahara, também de Londrina, os sintomas são variáveis e podem ser dor abdominal, enjoo, formação de gases, alteração do hábito intestinal, podendo ter diarreia ou constipação, ou mesmo os dois, com duração maior que três meses, com ocorrências de pelo menos uma vez por semana.
Diagnóstico
''Para que se faça o diagnóstico é preciso que se afaste a possibilidade de existir outro tipo de doença, como gastrites, úlceras, colites, tumores, câncer. Por isso é que chamamos de diagnóstico de exclusão, ou seja, se não houver outra causa, podemos chamar de Síndrome do intestino irritável'', explica. Kuwahara destaca que não existe um exame específico que faça o diagnóstico da doença. ''A intensidade dos sintomas tem relação muito próxima com o aspecto emocional. Parece que quanto mais nervoso ou tenso, maiores são os sintomas'', relata.
Segundo Gorla Junior, na Síndrome do intestino irritável há um aumento da sensibilidade dolorosa relacionada ao intestino. Ele relata que em casos leves o simples esclarecimento de que não se trata de um doença grave já alivia os sintomas. ''A questão psicológica influencia, tanto que a ansiedade e a depressão também são fatores que podem estar ligados ao surgimento dela'', revela o gastroenterologista. Em alguns casos, o uso de medicação antidepressiva é benéfico.
Lista
Os tratamentos são variados, mas começam com uma melhora da alimentação, com ingestão maior de verduras, frutas e cereais integrais e redução de gordurosos. Uma das sugestões apontadas pelos médicos é a de que cada paciente preste atenção nos alimentos que fazem mal e elaborem uma lista de alimentos que devem ser evitados.
''Se o aspecto emocional for muito acentuado, é preciso até acompanhamento psicológico. Atualmente existem vários medicamentos que podem ser usados, mas vai depender de cada caso. Após uma minuciosa avaliação médica provavelmente será feito um tratamento que englobe os vários aspectos citados antes'', explica Kuwahara.
Gorla Junior expõe que cerca de 20% da população sofrem da síndrome. Ele destaca que hoje existem medicamentos eficazes que podem levar conforto a essas pessoas e que o tratamento depende dos sintomas apresentados por cada paciente . ''O tratamento depende da intensidade e da predominância dos sintomas. Se o paciente tiver tendência à prisão de ventre, pode adotar uma dieta mais laxante e eventualmente medicamentos para gases. Se a predominância for dor e diarreia ele pode adotar uma dieta obstipante (que 'prende' o intestino) e eventualmente pode utilizar medicamentos antiespasmódicos (que combatem a contração involuntária)'', explica.
''Aparentemente há uma predominância dessa síndrome em pacientes que apresentaram infecções intestinais, naqueles que possuam intolerância à lactose ou distúrbios que alteram a flora intestinal ou em pessoas que tenham se submetido a cirurgias intestinais anteriormente'', conclui Gorla Junior.

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