Síndrome afeta convívio social
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quinta-feira, 05 de agosto de 2010
Micaela Orikasa<BR> Reportagem local 
Já imaginou sentir muito medo de ser assaltado, mesmo que não tenha tido nenhuma experiência semelhante? Ou então, ter pavor de um acidente de carro, sem sequer ter se envolvido em um? O medo constante e a falta de respostas têm levado muitas pessoas a buscarem a psicologia para entender o problema. ''A Síndrome do Estresse Pré-Traumático (SEPT) é ter medo de sentir medo, comprometendo a qualidade de vida das pessoas. Ela é associada à 'doença do estresse pós-traumático', mas se diferencia pelo fator desencadeador. No pré-traumático, a pessoa não foi protagonista de nenhum histórico de trauma'', explica a psicóloga Clarice Montosa.
Mas então, como o medo pode existir? Segundo ela, as pessoas fantasiam um episódio traumático que pode acontecer no futuro. ''E ela foca esse medo de uma forma tão intensa, que começa a sofrer''.
A dona de casa Neucy Rodrigues da Silva Fonseca, de 56 anos, convive constantemente com o medo após ter perdido a família em um acidente de carro. ''Perdi minha mãe, irmã e sobrinho, há 21 anos. Antes, eu não tinha medo de nada, mas hoje tenho medo até de dirigir. Sempre me vem à cabeça o que aconteceu com eles'', diz.
Além de evitar saídas noturnas, Neucy se mudou para um condomínio fechado e, por precaução, mantém a porta de casa sempre trancada. ''Evito também sair com muitos pertences. Tomo todos os cuidados necessários, pois em Londrina eu vivo tensa'', conta Neucy, que morava antes em Ribeirão do Pinhal (Norte Pioneiro).
Pedro (nome fictício), de 45 anos, que prefere não se identificar, também vive sensação constante de insegurança. ''Me tornei muito mais preocupado com segurança depois que meus primos foram assassinados em São Paulo'', conta ele, que carrega duas carteiras para que, em um caso de assalto, possa entregar a falsa para o ladrão. ''Só utilizo o caixa eletrônico dentro de shoppings e só ando de carro com o vidro fechado e as portas trancadas. Quando preciso viajar, me programo sempre para chegar de dia no destino, nunca à noite'', revela.


