Síndrome afeta alunos longe de casa
Cristine Pieske
Kraw PenasSamanta (à dir.): trocando colégio de 200 alunos por um de 2 milSaudades das longas conversas com os amigos, ausência do olhar cuidadoso dos pais, a comidinha de casa subitamente reduzida a pizza, macarrão e salsicha. Some-se a isto uma cidade ainda desconhecida, uma escola cheia de caras novas e ruas com destinos misteriosos: está pronta a variação juvenil da Síndrome do Estrangeiro, mal que atinge dez entre dez adolescentes que mudam de cidade para estudar. Divididos entre o desafio de morar longe de casa e a necessidade do colo dos pais, muitos adolescentes acabam tendo seu rendimento escolar prejudicado pelo impacto da mudança.
A dificuldade de integração é uma característica comum a quase todas as pessoas que trocam um território conhecido por uma nova experiência, diz a psicóloga Paula Cunha Gomide. Para ela, os problemas de entrosamento com amigos e as crises de saudade são normais nas primeiras semanas. Dependendo da personalidade do adolescente e do tipo de relacionamento que mantinha com a família, o período de adaptação pode ser ainda mais longo - mas nunca impossível de ser vencido. O jovem precisa se preparar para a mudança, tendo a consciência de que está iniciando uma nova fase da sua vida, afirma.
Entre as dicas de sobrevivência dadas pela psicóloga estão a de estabelecer uma rotina que inclua atividades relaxantes, que devem ser encaradas como uma pausa necessária aos estudos. Há também recomendações de contato frequente com a família e constituição de uma rotina diária, como se alimentar e descansar sempre nos mesmos horários.
Para quem está enfrentando o mundo sem a presença dos pais pela primeira vez, no entanto, a visão do problema é um pouco mais complexa. Aqui é tudo muito diferente e eu ainda não conheço ninguém, diz com timidez o estudante José Vargas Sobrinho, de 15 anos, que trocou a cidade de Rendenção, no Pará, por Curitiba. A aventura de cruzar o País em busca do sonho de cursar a faculdade de Direito na Universidade Federal do Paraná (UFPR), acredita o estudante, deverá compensar as dificuldades iniciais. Ainda não estou com vontade de ir embora, afirma.
Atenta às dificuldades que costumam tirar o sono dos alunos recém-chegados, o colégio Positivo, de Curitiba, faz reuniões no início da cada ano letivo destinada apenas aos estrangeiros. Durante o encontro, os professores dão dicas sobre a cidade, o funcionamento da escola e até mesmo recomendações sobre a qualidade da alimentação - tudo na tentativa de deixar os adolescentes menos inseguros. Alguns chegam a chorar de saudades de casa, mas pedem para que não contemos nada a seus pais, diz a orientadora educacional, Márcia Kasecker.





