‘‘A investigação policial em Londrina está a zero’’. A afirmação é do presidente do Sindicato da Polícia Civil de Londrina (Sindipol), Ralph Gren de Oliveira. Ele diz que dos 57 investigadores existentes na cidade, apenas 12 fazem o trabalho de investigação. A grande maioria, afirma, está no setor administrativo ou atuando como carcereiro em distritos policiais. O delegado-adjunto da 10ª Subdivisão Policial (SDP), Acácio de Azevedo, confirma que a quantidade de investigadores é insuficiente e prejudica o trabalho da polícia.
Segundo Oliveira, além dos investigadores, a cidade conta com 18 escrivães e 14 delegados, distribuídos pelos seis distritos policiais e pela 10ª SDP. Quatro DPs estão superlotados com detentos e os investigadores acabam fazendo o trabalho de guardas.
O presidente do Sindipol ressalta que o quadro policial é reduzido para realizar um bom trabalho. ‘‘A função da Polícia Civil é de investigar, levantar os autores e subsídios para fazer o inquérito’’, observa. ‘‘Mas só com 12 investigadores, não dá para fazer nada’’.
Oliveira lembra que um determinado policial pode estar fazendo campana para um caso e, a qualquer momento, pode ser chamado para atender a uma outra ocorrência. ‘‘Ele é obrigado a sair de lá para fazer outra coisa, quer dizer, acaba não fazendo bem nem uma coisa nem outra’’.
A prisão provisória (zona sul), para onde serão levados os detentos dos distritos, não irá solucionar o problema dos investigadores, na opinião de Oliveira. Autoridades policiais afirmam que quando a prisão for ativada, os investigadores deixarão de atuar como carcereiros e ficarão ‘‘livres’’ para realizar o trabalho de rua.
Oliveira acredita que os distritos podem até permanecer fechados algum tempo, mas terão de ser reabertos porque as prisões continuarão acontecendo. Ele comenta que o concurso para investigadores e escrivães que está sendo realizado pelo Governo do Estado também é criticado. ‘‘É uma enganação porque não irá resolver o problema’’, dispara. Ele lembra que para a região de Londrina devem ser contratados 40 investigadores, número considerado insuficiente para repor o quadro, reduzido nos últimos anos por causa de demissões e aposentadorias.
O presidente do sindicato diz que em Curitiba trabalham cerca de 900 investigadores. ‘‘Londrina tem um terço da população de Curitiba, por isso, proporcionalmente, deveríamos ter 300 investigadores aqui’’, compara.
O delegado-adjunto Acácio de Azevedo prefere não falar sobre números de policiais por ‘‘questões de segurança’’. Ele confirma que a quantidade de investigadores é insuficiente, o que prejudica o trabalho. ‘‘Com a falta de pessoal, o trabalho vai acumulando e por mais esforço que se faça, não conseguimos atender a demanda’’, reconhece.
O delegado afirma, porém, que os casos não ficam parados. ‘‘Damos um atendimento mais imediato aos casos mais graves, como latrocínio e roubos a bancos e a empresas por quadrilhas especializadas. Os outros vão sendo investigados na medida do possível’’.

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