Sindicatos recebem plano de saúde com ressalvas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 06 de fevereiro de 2002
Katia Michelle Equipe da Folha 
Curitiba - Os sindicatos que representam os servidores públicos estaduais receberam com ressalvas o anúncio da terceirização do sistema de assistência à saúde, divulgado anteontem pelo governador Jaime Lerner (PFL). As lideranças sindicais acreditam que o novo sistema é uma tentativa de desviar a atenção do real problema que atinge a categoria: a defasagem salarial. Para os servidores, o plano não supre a necessidade da categoria. Além disso, a Federação do Hospitais do Paraná (Fehospar) acusa o sistema de impraticável financeiramente e prevê prejuízo para os hospitais que se candidatarem à licitação proposta pelo governo.
As entidades que representam a categoria vão se reunir hoje, às 9 horas, na Assembléia Legislativa, para discutir a questão salarial. Os servidores vão aproveitar a reunião para colocar em pauta possíveis decisões a serem tomadas em resposta ao anúncio do novo sistema de saúde. Nossa demanda hoje é a sobrevivência e isso se resolve com readequação do salário, ressalta a coordenadora do Sindsaúde (sindicato que reúne os trabalhadores na área de saúde pública do Estado), Mari Elaine Rodella. Ela lembra que os servidores estão há sete anos sem reajuste salarial e que essa discussão é prioridade para a categoria.
Para a presidente do Sindicato dos Servidores Públicos da Agricultura, Meio Ambiente, Fundepar e afins (Sindiseab), Norma Ferrari, a idéia do novo sistema de assistência pode ser interessante. Mas temos dúvidas se na prática vai funcionar, revela. Para Norma o governo pode utilizar a concessão do plano como uma desculpa para não rever a recomposição salarial.
De acordo com as novas regras, o oferecimento do serviço médico e ambulatorial para o servidor será gratuito, sem o desconto em folha de pagamento. Com a terceirização, 12 hospitais privados do Estado vão atender os 160 mil servidores ativos e inativos e mais 201 mil beneficiários a partir de abril, quando o novo sistema deve estar implantado.
O presidente da Fehospar, José Francisco Schiavon, alega que os hospitais não vão ter condições de arcar com os preços propostos pelo governo. De acordo com a proposta, a assistência vai ficar entre R$ 16,50 e R$ 18,00 para cada servidor. Os hospitais que eventualmente se candidatarem à licitação não poderão atender com qualidade os usuários. Schiavon prevê que poucos hospitais irão se candidatar à licitação, que deve ser divulgada ainda essa semana pela secretaria.
Ontem, a Folha tentou contato com o secretário de Administração, Ricardo Smijitink, mas sua assessoria informou que ele estava em reunião com o governador Jaime Lerner e não pôde atender as ligações.


