Sindicato vê improbidade em obras
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sexta-feira, 08 de agosto de 1997
Luiz Taques 
Londrina
Paulo WolfgangDenúnciaGláudio de Lima (ao centro), do Sindserv: denúncia contra Prefeitura por improbidade administrativaO Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv) vai apresentar segunda-feira ao Ministério Público denúncias contra a Prefeitura por improbidade administrativa. As denúncias dizem respeito à reforma de duas casas-abrigo e da construção de uma rotatória no centro da Cidade. Os acusados negam irregularidades.
O presidente do Sindserv, Gláudio Renato de Lima, diz que nas reformas a Prefeitura gastou R$ 37.715,17. Mas a construtora só fez o muro, a calçada e pintou as casas, diz Lima. Os dois imóveis são de alvenaria e seriam utilizados como Casa-Abrigo pela Coordenadoria Especial da Mulher.
A Port Construtora de Obras Ltda foi a empresa que venceu a licitação da Prefeitura para reformar a Casa-Abrigo e construir a rotatória da rua Souza Naves - obra ainda em execução.
Lima disse que a obra da rotatória está orçada em R$ 33 mil. Mas os trabalhos estão sendo executados por funcionários da Prefeitura e o maquinário também pertence todo à Prefeitura, observa o presidente do Sindserv. Temos inclusive fotos dos funcionários e dos maquinários trabalhando lá.
A construtora Pot pertence a Rubens Canizares e à esposa dele, Cassia Canizares. De 1º de fevereiro de 1992 a 1º de março deste ano, Canizares foi assessor de gabinete do vereador Moysés Leônidas de Oliveira - licenciado da Câmara desde que assumiu a Secretaria municipal de Administração. Coincidência ou não, foi a Secretaria de Administração a responsável pela licitação das duas obras, diz o presidente do Sindserv.
Canizares é presidente do diretório local do Partido Solidarista Nacional (PSN). O presidente do Sindserv conta que até o mês passado ele constava da relação de funcionários comissionados da Comurb. Realmente trabalhei lá como assistente operacional até o mês passado, diz Canizares, que pretende processar o Sindserv por danos morais.
A esposa de Canizares, diz o sindicalista, pertence ao quadro da Autarquia Municipal de Saúde. O artigo 204 da lei municipal 4.928/92 proíbe ao servidor fazer contrato comercial com o município, informa Gláudio de Lima.
Para o secretário Moysés Leônidas, essa é uma atitude de desespero do sindicato. As licitações, segundo ele, são de competência da sua pasta, mas a fiscalização pelas obras compete à Secretaria de Obras. Leônidas confirmou que Canizares foi assessor dele na Câmara Municipal.
O secretário de Obras, José Righi de Oliveira, afirma que foram realizadas diversas modificações internas nas duas casas-abrigo. Os recursos, esclarece o secretário, são provenientes de um convênio entre a Secretaria de Estado da Criança e a Prefeitura. Eram casas abandonadas, muito antigas, que precisaram de reformas internas.
Quanto à rotatória, Righi informa que a construtora ficou responsável pela demolição do passeio e meio-fio, execução de um novo passeio e meio-fio, além do asfalto. A Prefeitura, segundo o secretário, ficou com as obras de transferências de galerias pluviais, de cabos telefônicos, de superpostes, do aterro da rotatória e do ajardinamento.


