Londrina

Paulo WolfgangDenúnciaGláudio de Lima (ao centro), do Sindserv: denúncia contra Prefeitura por improbidade administrativaO Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv) vai apresentar segunda-feira ao Ministério Público denúncias contra a Prefeitura por improbidade administrativa. As denúncias dizem respeito à reforma de duas casas-abrigo e da construção de uma rotatória no centro da Cidade. Os acusados negam irregularidades.
O presidente do Sindserv, Gláudio Renato de Lima, diz que nas reformas a Prefeitura gastou R$ 37.715,17. ‘‘Mas a construtora só fez o muro, a calçada e pintou as casas’’, diz Lima. Os dois imóveis são de alvenaria e seriam utilizados como Casa-Abrigo pela Coordenadoria Especial da Mulher.
A Port Construtora de Obras Ltda foi a empresa que venceu a licitação da Prefeitura para reformar a Casa-Abrigo e construir a rotatória da rua Souza Naves - obra ainda em execução.
Lima disse que a obra da rotatória está orçada em R$ 33 mil. ‘‘Mas os trabalhos estão sendo executados por funcionários da Prefeitura e o maquinário também pertence todo à Prefeitura’’, observa o presidente do Sindserv. ‘‘Temos inclusive fotos dos funcionários e dos maquinários trabalhando lá.’’
A construtora Pot pertence a Rubens Canizares e à esposa dele, Cassia Canizares. De 1º de fevereiro de 1992 a 1º de março deste ano, Canizares foi assessor de gabinete do vereador Moysés Leônidas de Oliveira - licenciado da Câmara desde que assumiu a Secretaria municipal de Administração. ‘‘Coincidência ou não, foi a Secretaria de Administração a responsável pela licitação das duas obras’’, diz o presidente do Sindserv.
Canizares é presidente do diretório local do Partido Solidarista Nacional (PSN). O presidente do Sindserv conta que até o mês passado ele constava da relação de funcionários comissionados da Comurb. ‘‘Realmente trabalhei lá como assistente operacional até o mês passado’’, diz Canizares, que pretende processar o Sindserv por danos morais.
A esposa de Canizares, diz o sindicalista, pertence ao quadro da Autarquia Municipal de Saúde. ‘‘O artigo 204 da lei municipal 4.928/92 proíbe ao servidor fazer contrato comercial com o município’’, informa Gláudio de Lima.
Para o secretário Moysés Leônidas, essa é uma ‘‘atitude de desespero do sindicato’’. As licitações, segundo ele, são de competência da sua pasta, mas a fiscalização pelas obras compete à Secretaria de Obras. Leônidas confirmou que Canizares foi assessor dele na Câmara Municipal.
O secretário de Obras, José Righi de Oliveira, afirma que foram realizadas diversas modificações internas nas duas casas-abrigo. Os recursos, esclarece o secretário, são provenientes de um convênio entre a Secretaria de Estado da Criança e a Prefeitura. ‘‘Eram casas abandonadas, muito antigas, que precisaram de reformas internas.’’
Quanto à rotatória, Righi informa que a construtora ficou responsável ‘‘pela demolição do passeio e meio-fio, execução de um novo passeio e meio-fio, além do asfalto’’. A Prefeitura, segundo o secretário, ficou com as obras de ‘‘transferências de galerias pluviais, de cabos telefônicos, de superpostes, do aterro da rotatória e do ajardinamento’’.

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