Sindicato tenta impedir leilão de casas
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quinta-feira, 11 de setembro de 1997
Marcos Zanatta Maringá 
Marcos NegriniÀ vendaNo Conjunto Borba Gato, 28 casas são ocupadas por aposentados e ex-funcionários da Rede Ferroviária A delegacia do Sindicato dos Ferroviários do Paraná e Santa Catarina em Maringá pretende impedir o leilão das casas onde moram os ex-funcionários da Rede Ferroviária Federal. São 28 casas no Conjunto Borba Gato e outras 25 no Itaipu, para onde foram transferidos os ferroviários que moravam no centro da cidade. As casas têm em média 350 metros quadrados cada e são ocupadas por aposentados da Rede e ferroviários que foram demitidos depois da privatização do trecho, em fevereiro passado.
Segundo o delegado do sindicato em Maringá, Otílio Neves Filho, os ferroviários estão mobilizados e têm o apoio dos políticos locais contra o leilão, programado para segunda-feira, em Curitiba. Vamos levar os funcionários e fazer um protesto em frente ao local do leilão, mas já estamos alertando que não sairemos das casas, afirmou ontem. Com a privatização, explicou Neves Filho, de cerca de 3.600 ferroviários restaram perto de 1.500, que estão com os salários achatados e com a carga horária acima do aceitável. Tem ferroviário trabalhando até 14 horas por dia, denunciou.
Outro problema que a categoria enfrenta, disse Neves Filho, é o atraso no repasse do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que não é depositado desde 1994 na conta dos funcionários. Ele informou que a cobrança está na Justiça e que a Rede poderia fazer um acerto aceitando o valor devido do FGTS como entrada na venda das casas, financiando o restante. Cada ferroviário, calculou, tem pelo menos R$ 4 mil para receber de FGTS atrasado.
Neves Filho disse que existem ainda outras perdas salariais e falta de pagamento de jornadas extras, o que elevaria o valor para R$ 30 mil. A Rede já tentou pagar o que deve para os ferroviários oferecendo imóveis sem atrativo, como terrenos mal localizados, mas não aceitamos, afirmou. Ele garantiu ainda que as casas, assim como outros bens da Rede, estão penhorados para o pagamento das dívidas e que não poderiam ser leiloados.
O diretor do sindicato no Paraná, Valdir Gonçalves, de Ponta Grossa, disse ontem à Folha que a situação é a mesma em todo o Estado, mas que em Maringá a categoria está mais mobilizada, conseguindo inclusive o apoio dos políticos. Uma comissão de vereadores está negociando para evitar o leilão e na segunda-feira, deverá acompanhar os ferroviários em Curitiba. Gonçalves não sabe ao certo quantas casas são em todo o Estado, mas disse que os moradores têm interesse em comprar os imóveis.


