Cambé O caixa Rodrigo Luis de Oliveira, 24 anos, tinha acabado de atender um cliente quando percebeu dois homens armados invadindo a agência dos Correios de Cambé (13 km a oeste de Londrina). Nenhum dos sete funcionários esboçou qualquer tipo de reação. Os assaltantes obrigaram o grupo andar em fila indiana até o fundo do prédio, onde se localiza o cofre. Ainda assim, segundo testemunhas, Oliveira foi covardemente atingido com um tiro nas costas. Antes, tomou uma coronhada na cabeça. Permaneceu cerca de 15 minutos caído no chão, enquanto aguardava o saque do cofre.
Oliveira foi socorrido e está fora de perigo. O assalto aconteceu no dia 24 deste mês e provocou reação do Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (Sintcom/PR). Ontem, a entidade realizou um protesto em frente à agência da cidade reivindicando mais segurança. De acordo com números extra-oficiais apresentados pelo sindicato, foram quatro assaltos na agência de Tamarana em menos de cinco meses. Em Ibiporã, dois roubos em apenas uma semana. ''Sem falar na estatística nacional. De janeiro a outubro do ano passado, mais de 700 assaltos foram registrados em agências de todo o País'', relatou Paulo Sérgio Gomes do Prado, diretor do Sintcom, em Londrina.
Ao pedir mais segurança, a entidade teme que essa onda de violência contra os Correios chegue a comprometer a integridade dos funcionários e o atendimento à população. No pacote de reivindicações, constam a instalação de portas giratórias e circuito interno de TV, além da contratação de vigias, preferencialmente armados. A situação, de acordo com o sindicalista, se complicou desde a implantação do chamado Banco Postal, em parceria com uma instituição privada. Em operação desde 2001, o serviço possibilita, entre outras coisas, pagamento de contas, depósitos e aplicações. ''Os assaltos começaram após a efetivação desse projeto'', apontou. De acordo com o Sintcon, algumas agência movimentam hoje em média R$ 50 mil por dia.
A Polícia Federal investiga o assalto de Cambé, mas a delegada responsável pelo inquérito, Mirian Takano, não foi localizada. Ontem à tarde, a Folha também não conseguiu entrar em contato com a diretoria dos Correios, em Curitiba.

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