Da redação
O anúncio de que os grupos Norberto Odebrecht, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez uniram-se e formaram uma holding para gerenciar suas participações em cinco das principais rodovias do País colocou em alerta a área de transporte de carga. O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná (Setcepar), Rui Cichella, diz que o preocupante é que o monopólio público sobre as estradas seja transformado, com a privatização da malha viária, em um monopólio privado.
Segundo Cichella, causa temor a falta de limites impostos pelo governo federal na participação das construtoras em concessões de rodovias. ‘‘Na privatização das telecomunicações, por exemplo, o grupo levava uma região era automaticamente proibido de participar de outros leilões’’, comenta.
Ele diz que, diferentemente do segmento de comunicações, monitorado pela Anatel, o controle sobre concessões de rodovias tem sido repartido entre o Ministério dos Transportes, através do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), e os departamentos estaduais de estradas (DERs). ‘‘Basta ver o exemplo do Paraná, onde o letígio do governo e das concessionárias em torno do preço do pedágio não foi resolvido’’, critica. ‘‘Nesse caso, as estradas pedagiadas são federais, sob controle do Estado. Mas em nenhum momento o Ministério dos Transportes agiu para resolver a pendenga, que tem causado sérios prejuízos aos usuários’’, diz.
Nas estradas do Paraná, ônibus e caminhões são responsáveis por 65% dos valores arrecadados nos postos de pedágio.
A polêmica sobre o aumento das tarifas do pedágio deve voltar a ser discutida esta semana. O governo do Estado prometeu uma decisão para depois do retorno dos Estados Unidos do governador Jaime Lerner, que volta ao trabalho amanhã.

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