Fotos: José SuassunaPedro da Silva: ‘‘‘‘Se não usar rebite, não chega em tempo’’Jair de Oliveira: ‘‘Somos obrigados a cumprir a lei das empresas’’Manoel Santana: ‘‘Existe a gramática e não a prática. Isso não vai dar certo’’Arquivo FolhaCichela: ‘‘Não sei se o tacógrafo é eficaz para medir a jornada de trabalho’’Sindicato teme abuso na fiscalização
O presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos do Paraná (Sindicam), Diumar Cunha Bueno, é favorável ao projeto de lei complementar que limita o tempo de direção para os motoristas. No entanto, ele teme pela fiscalização. ‘‘Temos que tomar medidas sérias para que não haja abuso por parte dos policiais rodoviários. Eles podem querer se aproveitar da lei’’, afirmou ele. Os policiais rodoviários farão a leitura do tacógrafo (equipamento obrigatório por lei para todos os caminhões) e terão que fazer com que a lei seja cumprida. ‘‘Existe a gramática e não a prática. Isso não vai dar certo’’, comentou Manoel José Santana, 57 anos, caminhoneiro há 40.
Apesar de duvidarem que a fiscalização venha a ser implantada, os caminhoneiros consideram a lei um avanço. ‘‘Sou a favor desta lei. Motorista merece ter vida digna. Ele não é cachorro’’, salientou Pedro Paulo da Silva, 50.
Atualmente estão em atividade no Paraná cerca de 80 mil caminhoneiros autônomos e outros 60 mil contratados pelas empresas de transporte. ‘‘A concorrência sempre foi terrível. A lei vai abrir o mercado, vai melhorar o preço do frete e aumentar os postos de trabalho’’, analisou Bueno. Ele disse que as empresas que tiverem que fazer viagens longas, serão obrigados a trabalhar com dois motoristas para fazer revezamento.
Os proprietários das empresas de transporte de cargas também concordam com o projeto de lei. O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná (Setcepar), Rui Cichela, aposta que os acidentes de trânsito serão reduzidos sensivelmente com a medida. Ele teme apenas pela leitura do tacógrafo. ‘‘Não sei se ele é eficaz para medir a jornada de trabalho. As empresas não terão como provar a troca de motoristas’’, argumentou.

Projeto de lei obriga motorista a descansar
A Câmara Federal deverá analisar nos próximos dias o projeto de lei complementar nº 32, de 2001, que dispõe sobre o tempo de direção de motoristas de ônibus e caminhões que trafegam pelas rodovias.
De acordo com o substitutivo aprovado no Senado Federal, o motorista poderá trabalhar cinco horas ininterruptas, mas será obrigado a parar o caminhão e descansar por trinta minutos.
Dentro do período de 24 horas, o condutor será obrigado a repousar dez horas. O substitutivo, de autoria do senador Osmar Dias (PDT-PR), passa a responsabilidade pela fiscalização do cumprimento da lei para a Polícia Rodoviária Federal (PRF), que irá verificar os tacógrafos existentes nos veículos e calcular o tempo de direção de cada motorista.
Em casos de infração, o veículo será retido pelo tempo de parada não observado e o dono da carga terá que pagar uma multa de R$ 180,00 para cada hora. Havendo reincidência, o valor da multa será dobrado.
‘‘A intenção é flagrante: diminuir o índice de acidentes nas estradas brasileiras. As estatísticas demonstram que 40% dos acidentes ocorrem por causa do cansaço dos motoristas’’, destacou o senador. Osmar Dias lembra que a mesma lei é aplicada em países da Europa e nos Estados Unidos.
Uma consequência direta da nova lei, segundo o senador, será a abertura de novas vagas no mercado de trabalho. ‘‘As empresas terão que contratar 20% a mais de funcionários para se adequar à lei. Chega de abusos. Com a lei iremos colocar um ponto final nos abusos’’, analisou.

Acidentes nas rodovias
Dados de 2000
Total de acidentes - - 17.427
Automóveis - - - 9.047
Caminhões - - - 3.939
Ônibus - - - - 392
Microônibus - - - 84
Fonte: Polícia Rodoviária Estadual
Dados de 2001
Total de acidentes - - 11.534
Ônibus - - - - 435
Caminhões - - - 11.534
Fonte: Polícia Rodoviária Estadual

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