Sindicato tem dossiê sobre tortura
Curitiba Segundo a presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário (SINSPP), Sandra Duarte, os casos de tortura nas penitenciárias admninistradas por empresas terceirizadas são comuns. ''Nós já enviamos esses relatos para o governador Roberto Requião (PMDB), mas nenhuma mudança de equipe foi feita'', lamenta Sandra.
Segundo ela, os agentes penitenciários são coagidos a realizarem a tortura. ''É o meio que a empresa tem para manter a disciplina entre os detentos, uma vez que eles não realizam um tratamento adequado dos presos. A ordem da tortura vem de superiores. Se o funcionário se recusa a praticar, é demitido. E se ele pratica e o crime vem à tona, é demitido também'', afirmou Sandra.
O sindicato elaborou um dossiê com denúncias de tortura que cita casos inclusive na Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP), dirigida pelo tenente-coronel Flávio Buchmann, que assume agora a Casa de Custódia. ''Há um caso de suicídio que os funcionários garantem ter sido na verdade um homicídio na PEP. A maioria das penitenciárias é dirigida por militares, e essa militarização está descambando em tortura'', acusa Sandra.
O advogado criminalista Peter Amaro de Souza também afirma que acontecem torturas na Casa de Custódia. ''A Casa de Custódia virou o verdadeiro Inferno de Dante. Apesar de ser limpinha e moderna, alguns presos prefereriam ir para uma delegacia superlotada a permanecer lá. E eles não têm nem como denunciar, uma vez que a visita dos advogados é separada por vidros e a conversa por telefone. Se a conversa é interceptada e o preso denuncia a tortura, apanha mais'', disparou.
O secretário de Justiça, Aldo Parzianello, nega que a tortura seja prática comum nas penitenciárias do Estado. ''Esse caso da PEP foi investigado e constatado que não houve agressão. O governo não tolera e nunca tolerará casos de agressão contra os presos'', rebateu.
A Folha ligou para a residência de Flávio Buchmann, mas ele não retornou o pedido de entrevista.





