O Sindicato dos Servidores da Socioeducação do Paraná (Sindsec) quer a interdição parcial da unidade 2 do Centro de Socioeducação de Londrina (Cense 2). O sindicato alega que a unidade para menores infratores tem problemas como o deficit de efetivo, falta de equipamentos e estrutura física que precisa de reforma.
A entidade encaminhou, em dezembro, um documento ao Ministério Público pedindo a intervenção do órgão. "É preciso uma intervenção em Londrina, antes que a situação fique mais crítica", comenta Dirceu de Paula Soares, presidente do Sindsec. Ele afirma que seriam necessários 74 educadores na unidade, mas, atualmente, apenas 49 trabalham no local. Há previsão de contratação de mais cinco, de acordo com o edital do concurso público que está em andamento.

Sindicato reivindica interdição do Cense 2
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O Cense 2 tem capacidade para atender 76 adolescentes. Segundo dados do Departamento de Atendimento Socioeducativo (Dease), da Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, a unidade está com 62. No entanto, Soares afirma que a proporção entre adolescentes e educadores configura superlotação. "Há uma sobrecarga de trabalho e há superlotação em relação aos educadores", comenta.
Em janeiro, os internos tentaram uma fuga em massa, mas a situação foi controlada. Segundo Soares, eles utilizaram ferros retirados das camas como armas para dominar os servidores. O Dease não informou se houve fuga ou se algum interno foi transferido. "Os adolescentes têm tomado conta do Cense 2. Na tentativa de fuga, eles (internos) se armaram com ferros, liberaram as outras galerias e tentaram sair pelos solários", conta o presidente.
O sindicalista afirma que a situação é tão tensa que há casos de educadores agredidos pelos adolescentes. "É preciso fazer alguma coisa. Os adolescentes agridem os educadores, fazem rebelião e não acontece nada com eles. Eles estão perdendo o medo de estar na unidade. Era preciso que fossem responsabilizados pelos atos lá dentro", cobra Soares.
O presidente do Sindsec também critica a falta de equipamentos para os servidores trabalharem e a estrutura precária da unidade. O Cense 2 tem quatro alas. "As camas de ferro deveriam ser substituídas por camas de cimento. Faltam radiocomunicadores para os funcionários. Tem problemas com a fiação elétrica e de segurança", diz Soares.
Outra preocupação do sindicato é com o atendimento aos internos com distúrbios mentais. A legislação define a proporção de um educador para cada adolescente especial o que, segundo ele, não é cumprido no Cense 2. "Não tem efetivo suficiente e temos muitos casos de tentativas de suicídio. O Cense 2 é uma das poucas unidades que contam com um psiquiatra. Temos 29 adolescentes com problemas psiquiátricos e, por ironia, este profissional está de licença. Alguns adolescentes deveriam estar em clínicas para tratamento adequado."

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