Sindicato questiona frota de microônibus
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 16 de junho de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
O Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Londrina (Sinttrol) questiona o aumento da frota de microônibus no transporte urbano da cidade. Segundo o presidente da entidade, João Batista da Silva, as empresas que operam o sistema estão colocando mais microônibus nas ruas do que o previsto inicialmente, o que afetaria os usuários e os funcionários da empresa, uma vez que os motoristas desse tipo de veículo ganham salários inferiores aos dos convencionais.
Esse foi um dos pontos discutidos, ontem, em reunião entre o Sinttrol e o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Municipal de Passageiros e de Características de Metropolitano de Londrina (Metrolon). O ponto mais polêmico das conversações, o reajuste salarial de 13% reivindicado pelos trabalhadores, continuou sem definição (leia texto nessa página).
Silva afirma que o Sinttrol aceitou a aplicação de um nível salarial mais baixo para os motoristas de microônibus, na época da implantação desses veículos, exigindo, em contrapartida, que a novidade não implicasse demissões. ''Aceitamos o salário diferenciado para descomprimir o custo tarifário. Mas as empresas não honraram o pacto com o sindicato e promoveram demissões'',
aponta. De acordo com o presidente, cerca de 20 motoristas foram dispensados entre janeiro e fevereiro deste ano.
Depois deste período, segundo Silva, as demissões cessaram, mas a frota de microônibus continuou crescendo. ''A (empresa de transportes) Francovig havia recebido a determinação de introduzir apenas quatro microônibus, agora já está com 10. Sabemos que a incorporação do microônibus no sistema foi definida pelo Poder Público, mas achamos que a transição tem de ser feita de forma mais paulatina, sem pressa, sem ganância por lucro, respeitando os usuários'', declarou Silva. O sindicato também sugere a regularização da situação dos motoristas de microônibus, com a criação de uma espécie de ''nível 2'' de piso salarial para esse grupo.
Falando em nome das empresas Francovig e Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), o advogado do Metrolon, Carlos Roberto Ribas Santiago, refutou os apontamentos do sindicato dos trabalhadores afirmando que a empresa citada estaria agindo de acordo com o que expressa o contrato de concessão. Ele lembrou ainda que esse tema não estava na pauta de discussões. A assessoria da Francovig reforçou que o contrato de concessão prevê uma frota inicial de quatro ônibus e não durante todo período de vigência, que é de 15 anos.
O diretor de operações e transportes da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Álvaro Grotti Júnior, alegou desconhecer qualquer tipo de irregularidade ou descumprimento do contrato de concessão. Ele elogiou a implantação dos microônibus por ser uma medida que ''reflete no custo de operacionalização do sistema'' e contribui para equilibrá-lo. (Colaborou Luciano Augusto)


