Valorização do policial. É essa a palavra de ordem que permeia os discursos tanto do Sindicato da Polícia Civil em Londrina (Sindipol) quanto do Movimento das Esposas de Policiais Militares. As duas partes afirmam que os policiais estão trabalhando sob pressão, principalmente por causa da falta de efetivo.
''Temos que entender que cada caso é um caso. Uma corporação tão idônea como a Polícia Militar não pode ser julgada por uma minoria. Porém, (as prisões) reforçam as nossas reivindicações de que o PM precisa ser mais prestigiado'', diz a presidente do movimento de esposas de PMs em Londrina, Vera Rubo. Ela diz que o estado precisa estabelecer, de fato, ''uma verdadeira humanização do policial'' se quiser diminuir a corrupção dentro das corporações.
Atualmente, Vera elogia o diálogo que o movimento tem com o comando da Polícia Militar mas aponta que ainda existem dificuldades a ser superadas como ''problemas nas escalas, retaliações e outros tipos de pressões''. Ela alega que a PM está há quase nove anos sem ter reajuste nos salários. ''Isso é urgente, é quase um pedido de socorro'', salienta a representante das esposas de PMs, que participou da mobilização das mulheres que fecharam batalhões em todo o Estado em 2001, reivindicando melhores salários e condições mais dignas de trabalho para seus maridos. As gratificações que começaram a ser pagas em julho, segundo ela, ajudam mas não resolvem o problema.
O presidente do Sindipol em Londrina, Ademilson Alves Batista, entende que as prisões devem ser vistas como fatos isolados. ''O sindicado existe para dar reconhecimento. Nós acompanhamos os casos e oferecemos nossa estrutura para ajudar o acusado a ter seus direitos preservados'', destaca.
De acordo com ele, o policial civil também está trabalhando sob pressão. ''Hoje, em Londrina e no Paraná, o principal problema é a falta de material humano'', afirma. O sindicalista revela que policiais civis estão buscando atendimento psicológico em virtude do estresse vivido no exercício da profissão. Ele revela que em cidades pequenas da região de Londrina, muitas delegacias trabalham com uma equipe mínima que ainda precisa atuar na segurança de presos e que algumas delegacias não contam com delegado titular. Mas espera melhoras, já que o governo estaria chamando aprovados em concursos já realizados. Outra esperança é que a Escola de Formação de Policiais, que vai funcionar em Ibiporã, traga algum alívio para a Polícia Civil na região. ''Mas ela ainda não foi colocada em funcionamento'', lamenta Batista.

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