Sindicato quer que Extra feche às 21h
Sindicato dos Empregados no Comércio alega
que funcionamento 24 horas é irregular porque
não foi feito acordo com trabalhadores

Marcelo Almeida
DemoraNo segundo dia de funcionamento, o Extra ainda provocou engarrafamento nos horários de maior trânsito de veículos‘Os funcionários têm
contrato específico
para seu turno de
trabalho’, diz gerente
Guilherme Vieira
O Sindicato dos Empregados no Comércio de Curitiba (Sindicom) deve entrar na próxima semana com uma ação na Justiça para impedir o funcionamento do hipermercado Extra 24 horas depois das 21 horas. Segundo o assessor da diretoria do Sindicom, Paulo Zanetti, o funcionamento da loja está irregular porque não foi feito nenhum acordo entre os sindicatos patronal e dos empregados, que garantam os direitos do trabalhador.
O presidente do Sindicato dos Empregados em Supermercados (Siemerc), Jorge Leonel de Souza, disse que abrir a loja sem um acordo com os sindicatos caracteriza ‘‘abuso do poder econômico, e uma forma de pressionar os trabalhadores em função das altas taxas de desemprego no País’’. Para Souza, a empresa proprietária do hipermercado vem agindo já há algum tempo ‘‘à revelia da legislação ao abrir suas portas sem a formalização de acordo entre as partes’’.
O delegado do Ministério do Trabalho no Paraná, Tércio Albuquerque, disse que para as empresas funcionarem fora do horário estabelecido pela legislação - das 9 às 21 horas - é necessário possuir alvará especial da prefeitura, e um acordo coletivo de trabalho, firmado entre os sindicatos dos patrões e empregados. ‘‘Quem não se adequa a essas condições fica sujeito a pesadas multas que podem inclusive reincidir a cada 10 minutos.’’ Albuquerque informou que a fiscalização sob sua jurisdição já esteve vistoriando o hipermercado Extra, mas não pode informar se houve autuações devido ao sigilo fiscal que beneficia quem é notificado.
O gerente administrativo e financeiro do hipermercado Extra 24 horas, Silvio Vieira dos Santos, informou que possui um alvará para funcionar em horário especial, mas admitiu ainda não ter concretizado nenhum acordo com sindicatos. ‘‘Não estamos fazendo nada irregular e todos os funcionários que admitimos têm contrato específico para o seu turno de trabalho’’, disse. Santos declarou que não teme ações na Justiça por parte dos sindicatos porque em outras cidades tentativas desse tipo foram contornadas pelo departamento jurídico da empresa.

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