Telma Elorza
De Londrina
Dirigentes do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Londrina (SinSaúde), vestidos de preto e portando faixas com os dizeres ‘‘Quero meu salário’’ e ‘‘Eu trabalho: quero receber meu salário’’ fizeram ontem, em frente à Santa Casa, uma manifestação em protesto pelo atraso no pagamento dos funcionários da entidade. A manifestação serviu também para convocar os funcionários para uma assembléia que será realizada hoje, às 13 horas, no mesmo local.
Segundo a presidente do SinSaúde, Ana Maria da Cruz, há quase 12 meses a Irmandade da Santa Casa de Londrina (Iscal) vem atrasando o salário dos cerca de 840 funcionários da instituição. ‘‘Desde dezembro que o hospital não faz o repasse dos salários no quinto dia útil como determina a legislação. Já chegaram a atrasar de 15 a 20 dias. Ontem (quarta-feira), os funcionários mais uma vez ficaram sem receber. Esta situação não pode continuar’’, reclamou.
Ana Maria afirmou que a situação é extremamente delicada porque os funcionários estão tendo prejuízos financeiros, além daquele provocado pela inflação. ‘‘Todos os meses, eles estão pagando entre R$ 60 e R$ 70 de multas e juros das contas que acabam pagando com atraso. Tem gente que foi ‘seprocado’ e teve conta bancária encerrada porque não conseguiu cumprir com seus compromissos’’, explicou.
Para a presidente, a desculpa que a Santa Casa usa todos os meses, de que a Fundação Nacional de Saúde não repassou o dinheiro referente aos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), não está servindo mais. ‘‘Desde janeiro de 98 sabia-se que a reserva técnica de dinheiro do Fundo Municipal de Saúde, que antes bancava os salários até o repasse – iria acabar. Mas não tomaram nenhuma providência para se adequar’’, afirmou.
O diretor-superintendente da Santa Casa, Fahd Haddad, disse à Folha que o pagamento dos funcionários devem ser feitos ainda hoje. Haddad não nega que os salários vêm sendo pagos em atraso, mas diz que as instituções que atendem o SUS dependem do fluxo de repasse feito pela Fundação Nacional de Saúde (FNS) para pagar o funcionalismo. ‘‘Nossa fonte de renda é o SUS e temos que esperar a verba para poder pagar nossos funcionários’’, afirmou o superintendente.
Segundo Haddad, a FNS liberou o dinheiro para o Fundo Municipal de Saúde apenas ontem. ‘‘Estamos tentando agilizar a liberação’’. Haddad disse que tentou negociar com o SinSaúde para mudar a data de recebimento dos funcionários, mas a proposta foi recusada. ‘‘Precisamos que o sindicato e as autoridades nos apóiem em nossa proposta que é reivindicar que o FNS repasse o dinheiro do SUS até o dia 30. Com isso o dinheiro chega a tempo e não teremos mais problemas’’, avaliou.

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