Sindicato pede intervenção federal na PM
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terça-feira, 11 de dezembro de 2001
Maigue Gueths<Br>De Curitiba 
O Sindicato da Classe Policial (Sinclapol) está enviando esta semana requerimento ao Ministério da Justiça solicitando intervenção federal na Polícia Militar (PM) do Paraná devido às recentes denúncias de uso de violência por parte de policiais militares não apenas contra policiais civis, mas também contra a comunidade em geral. O Sinclapol já protocolou as denúncias na Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Paraná (OAB-PR) e ministérios públicos Federal e Estadual, solicitando providências.
''O governo está mostrando que não tem controle sobre a sua tropa'', diz o presidente do Sinclapol, Luiz Bordenowski, ressaltando que, além da ação contra a Polícia Civil, várias pessoas vêm denunciando a PM por uso de violência. Para ele, os conflitos entre as duas polícias não são casos isolados. ''A impressão que se tem é que a PM está procurando criar um conflito maior com a Polícia Civil'', afirmou.
Os casos mais graves, citados por Bordenowski, referem-se à morte, há duas semanas, do policial civil Flávio Maria Pedro, que teria sido confundido com um criminoso e espancado por PMs durante uma abordagem policial no bairro Tatuquara, em Curitiba. O caso está sendo investigado pelo 13º Distrito Policial.
Em Guaratuba, Litoral do Estado, o policial civil Maurício Samy também foi baleado na cabeça por PMs, depois que tentou intervir em favor de seu filho, que estaria sendo espancado pelos policiais, que desconfiaram que o rapaz estivesse roubando um carro, o qual era de propriedade do seu pai. O policial não morreu, mas ainda não se sabe se ficará com sequelas.
O policial civil Fernando de Moraes Nejm também registrou queixa acusando três PMs de tê-lo espancado durante uma abordagem na madrugada de sexta-feira, na Avenida Manoel Ribas, em Curitiba. O delegado Nasser Salmen, do 3º Distrito Policial, instaurou inquérito por violência arbitrária com lesão corporal, abuso de autoridade e tortura.
No último sábado, mais um incidente entre as polícias foi registrado. Um soldado do Batalhão da Polícia de Trânsito (BPTran) foi preso por policiais civis após disparar tiros em frente ao 7º Distrito Policial, na Vila Hauer. O soldado estava embriagado, de carona no carro de um amigo. Mais de 30 viaturas da Polícia Militar e Civil se posicionaram em frente à delegacia em função do caso. O soldado foi autuado em flagrante por porte de arma vencido e seu companheiro, por dirigir embriagado. Eles foram soltos após pagar fiança de R$ 50,00.
No último dia 5, o garoto M.P., de 12 anos, também teria sido espancado e ameaçado de morte por dois policiais militares na saída de um colégio, em Curitiba. A acusação foi feita pelos pais do menino, que afirmam que ele foi levado até o Parque Iguaçu, zoológico de Curitiba, onde ficou por três horas sofrendo ameaças.
A Folha tentou entrar em contato com o comando da Polícia Militar para saber as providências que serão adotadas, mas não obteve retorno. O diretor da Polícia Civil, Leonyl Ribeiro, afirmou que só se pronunciará sobre os incidentes após a conclusão dos inquéritos específicos. A assessoria da Secretaria da Segurança Pública garantiu que o órgão está fazendo as investigações administrativas e policiais cabíveis. Procedimento da PM prevê o afastamento dos envolvidos do policiamento ostensivo, permanecendo em trabalhos internos enquanto durarem as investigações.


