Áureo Nogueira
O Sindicato da Saúde de Londrina está propondo o fechamento da Santa Casa de Londrina como forma de pressão política para que os governos do Estado e da União aumentem os investimentos no setor. A proposta de fechamento do hospital seria apresentada ontem à noite na reunião do Conselho Municipal de Saúde e foi antecipada à Folha pela presidente do sindicato, Ana Maria da Cruz.
‘‘Não é mais possível suportar o descaso com que os governos do Estado e Federal tratam a saúde do Paraná e do Brasil. A sociedade precisa reagir e tomar uma decisão corajosa como esta, fechando hospitais para sensibilizar Fernando Henrique e Jaime Lerner a aumentar os míseros investimentos que fazem na saúde’’, enfatizou Ana Maria da Cruz. ‘‘Obviamente que só o fechamento da Santa Casa não resolve. Mas é necessário começar para que o movimento possa ser ampliado para todo o Estado e o País’’, emenda.
Ana Maria lembra a crise crônica do setor de saúde. ‘‘Nos últimos dias, duas pessoas morreram em Londrina por falta de atendimento. Os hospitais são obrigados a fechar o pronto-socorro por causa da superlotação. O pagamento de salário da Santa Casa tem atrasado reiteradamente há meses. Em vez de propor pelo menos zeramento das perdas na data-base da categoria, o Sindicato dos Hospitais deseja reduzir salários’’, enumera a sindicalista.
Para ela, a crise ocorre porque o governo do Estado investe míseros 2,8% do orçamento e o Federal não mais do que 3% quando as recomendações de todas as conferências de saúde são de pelo menos 10%. ‘‘Não é mais possível suportar essa situação enquanto o governo Lerner gasta quase R$ 400 milhões em propaganda para a promoção de seu nome e o governo FHC desperdiça cerca de R$ 25 bilhões em bancos quebrados’’, reclama.
Ana Maria diz, ainda, que o maior afetado pela crise no sistema de saúde é o usuário. ‘‘Os reflexos atingem diretamente o usuário. Pois além do número insuficiente de leitos, do arrocho salarial, da sobrecarga de trabalho dos profissionais, falta até materiais básicos, como agulhas, gaze, luvas. Evidentemente que este caos repercute na qualidade dos serviços prestados’’, detalha. ‘‘Por isso, entre tantas razões, acredito que a opinião pública irá apoiar o fechamento dos hospitais.’’
O diretor-superintendente da Santa Casa, Fahad Haddad, não quis comentar a proposta da presidente do Sindicato da Saúde. Limitou-se a dizer que iria aguardar a discussão da proposta no Conselho Municipal para depois manifestar-se.
Quanto ao atraso no pagamento dos salários, Haddad disse apenas que a crise do hospital ainda não foi superada e que, por isso, o hospital está fazendo campanha de contribuição junto à comunidade. Mas assegurou que ainda hoje, ou no mais tardar amanhã, os recursos estarão à disposição para pagar a segunda metade dos salários de maio.

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