O Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Londrina vai pedir à Câmara Municipal a revogação do projeto de lei da ‘‘cozinha transparente’’, sancionado pelo prefeito Luiz Eduardo Cheida (PT) no dia 20. Segundo a secretária-geral da Prefeitura, Alice Cardamone Diniz, o prefeito entendeu que o projeto não fere a Constituição e é de interesse social.
O presidente do sindicato, Newton Sborgi, afirma que o vereador Francisco Roberto (PT), autor do projeto, não levou em consideração a realidade do setor. O pedido de revogação vai ser encaminhado ao Legislativo no ano que vem.
Uma vez sancionada, a lei obriga os restaurantes - e demais estabelecimentos que comercializam alimentos prontos - a instalar janela de vidro entre a cozinha e a área de atendimento. Emenda do vereador Carlos Kita (PTB) dá prazo de um ano após a publicação para os estabelecimentos se adequarem às novas regras. A idéia é possibilitar ao cliente a total visualização do manuseio e preparo dos alimentos.
Depois de um ano, o comerciante que não cumprir a lei poderá sofrer advertência, multa de 200 Ufirs, suspensão das atividades por cinco dias e até cancelamento da licença.
Sborgi argumenta que a estrutura física da maioria dos restaurantes da Cidade inviabiliza a reforma necessária para atender ao projeto - seja pelo local ou pelo custo. Outro grande obstáculo, diz, está no fato de 95% dos restaurantes funcionarem em prédios alugados. ‘‘Antes de propor o projeto, o vereador deveria ter ouvido o sindicato patronal, pelo menos para discutir formas de viabilizar a sua implantação.’’ Sborgi acrescenta que o Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes sempre se mostrou receptivo a projetos de melhoria do setor.
Sborgi critica ainda a parte do projeto que obriga a abertura da cozinha para visitação do público. ‘‘As pessoas que trabalham nas cozinhas são treinadas para trabalhar no local, mas um cliente corre riscos, além de que seria anti-higiênico; uma cozinha tem de ser o mais asséptica possível.’’
O presidente do sindicato diz que faltou um estudo mais profundo da questão por parte do vereador. ‘‘São poucos os estabelecimentos que podem abrir suas cozinhas para visita de clientes, sem colocar em risco a qualidade do seu produto.’’
Apesar de defender que o projeto precisa ser refeito, Sborgi afirma que a iniciativa do vereador de propor ‘‘cozinhas transparentes’’ é excelente. Com uma ressalva: ‘‘Desde que a lei não tenha valor retroativo e valha apenas para os novos estabelecimentos’’. Ele acredita que, aos poucos e na medida das possibilidades de cada empresário, mesmo os estabelecimentos mais antigos fariam as reformas visando atender à necessidade de agradar o cliente. ‘‘O projeto, da forma como está, é apenas punitivo.’’

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