Milton DóriaLacradoDiretores do Sindicato dos Bancários na frente do posto: protestoO Sindicato dos Bancários de Londrina impediu ontem a abertura do posto de serviços do Unibanco na rua Souza Naves (área central). O local foi assaltado três vezes em pouco mais de dois meses. O último assalto ocorreu anteontem, por volta das 14 horas, quando dois homens armados com pistolas levaram R$ 3,8 mil do caixa e R$ 1,2 mil dos clientes. Houve ameaça de agressão física por parte dos ladrões, o que provocou pânico nos funcionários. Alguns tiveram que receber atendimento médico. O assalto anterior havia sido na sexta-feira.
O sindicato colocou carros da entidade, faixas, fitas e panos pretos para marcar o protesto e impedir a abertura do posto. Uma faixa dizia: ‘‘Esta agência está fechada por falta de segurança’’. Também foi distribuído um panfleto explicando aos clientes por que o posto estava fechado, além de uma relação de bancos assaltados em Londrina entre 1997 e 1998: no período, foram 21 assaltos.
Os funcionários do Unibanco não apareceram no local; apenas parte da gerência, sindicalistas e alguns clientes. A cliente Deuzelia Ribeiro, que trabalha numa imobiliária na região e movimenta conta no posto bancário, disse que o banco deveria tomar alguma providência para aumentar a segurança no local. ‘‘Depois desses assaltos não me sinto segura para frequentar a agência.’’ Ela iria fazer um depósito no posto, mas teve que mudar o itinerário e ir até o centro, algumas quadras a frente, para conseguir depositar o dinheiro. ‘‘Hoje, para mim, já ficou complicado.’’
Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários, José Francisco da Silva, a intenção da entidade é fazer com a agência permaneça fechada até que o problema da segurança seja regularizada. Eles esperam é que seja instalado no local um dispositivo de segurança, como circuito interno de TV ou porta detectora de metal. Silva garantiu que chegou a contatar a diretoria do banco, em São Paulo, que se comprometeu a implantar a melhoria.
‘‘O problema é que compromisso nem sempre adianta. A gente já ouviu muita promessa’’, critica. Ele diz ainda que está conversando com todos os segmentos ligados à segurança bancária para tirar uma posição única. A idéia é fazer valer o lema ‘‘Agência assaltada é agência fechada’’, como ocorreu ontem com o Unibanco. Ele acrescenta que pelo menos a metade das agências de Londrina não cumpre a lei que determina a instalação de um dispositivo de segurança e também a manutenção de dois vigilantes no local, enquanto haver atendimento ao público. ‘‘Temos até algumas aberrações na Cidade, como local que fica apenas um funcionário, sem guarda e sem nada para proteção.’’
O presidente do Sindicato dos Vigilantes, Gabriel José Trindade, também está preocupado com a situação das agências. Ele cobra a exigência da manutenção de dois vigilantes em cada agência, além dos demais dispositivos de segurança. Sem isso, ele afirma, os seguranças vão continuar sendo acusados injustamente de estar no local apenas para armar bandido. ‘‘Se não houver as mínimas condições de trabalho, fica muito difícil fazer alguma coisa.’’
Uma fonte da gerência do banco, que não quis se identificar, disse ontem que a diretoria do Unibanco já autorizou a instalação de uma porta detectora de metais no posto da Souza Naves. A expectativa é que hoje mesmo o posto já esteja reaberto.

mockup