Lorena Aubrift Klenke

Jornal I&CAcusadoLara teria retirado do caixa do sindicato recursos que deveriam ser repassados a transportadoras associadasCerca de 30 associados do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná (Setcepar) decidiram terça-feira à tarde, em assembléia, expulsar da entidade a empresa Cimensul Transportes. A empresa pertence a Areli Teixeira de Lara, que foi presidente do Setcepar por três gestões consecutivas, até 1996. Ele é acusado de retirar do caixa do sindicato recursos que deveriam ser repassados a transportadoras associadas para ressarcir a cobrança indevida de Finsocial.
A decisão da assembléia é baseada numa investigação interna aberta em outubro para verificar suspeitas levantadas contra Lara a partir da reclamação de 21 empresas do Norte que não receberam de volta o valor do Finsocial cobrado a mais pelo governo federal. A ação que contestou a alíquota foi movida pelo Departamento Jurídico do Setcepar.
No período entre a concessão da liminar e a sentença final, favorável às empresas, elas depositaram em juízo o Finsocial. Os valores foram unificados numa só conta, em nome do Setcepar. Quando saiu a sentença, a entidade sacou o dinheiro (R$ 2,2 milhões) e dele descontou 20% de honorários para dois advogados contratados para o caso. Do restante, foram repassados para as empresas R$ 1,4 milhão. O restante - R$ 307.913,00 - permaneceu na conta do sindicato. A atual diretoria descobriu que esse dinheiro foi transferido por Lara para a conta do advogado Paulo Gruber, dois dias antes de entregar o cargo de presidente.
Segundo o superintendente do Setcepar, Sérgio Malucelli, das 21 empresas beneficiadas pela decisão judicial, 11 não receberam o que lhes era devido. Malucelli disse que Lara foi chamado várias vezes para resolver a situação. Mas teria proposto entregar um terreno de valor inferior ao da dívida, além de ter se recusado a deixar os cargos de 2º vice-presidente do Setcepar e delegado junto à federação estadual do setor.
Com a decisão da assembléia, Lara está afastado desses cargos. A Folha tentou conversar com o empresário ontem, mas foi informada por um funcionário de sua empresa que ele sofreu uma cirurgia cardíaca e está hospitalizado em São Paulo.
Malucelli disse que dentro de um mês a entidade deverá procurar todas as transportadoras para negociar o parcelamento da dívida. Além do valor desviado, as transportadores questionam o percentual pago aos advogados. ‘‘Os honorários não poderiam ultrapassar 6% e queremos que o sindicato obtenha de volta os 14% pagos a mais’’, disse o advogado Antônio Celso Costa, que representa quatro empresas. O Setcepar também move uma ação judicial contra Lara, pedindo o ressarcimento do valor.

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