Sindicato estima adesão de 80% à greve
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quinta-feira, 18 de setembro de 1997
Lorena Aubrift Klenk 
Curitiba
Milhares de alunos da rede pública estadual ficaram sem aulas ontem, no primeiro dia da greve do magistério. APP-Sindicato e Secretaria da Educação forneceram avaliações divergentes sobre a adesão. O sindicato informou que 80% dos 55 mil professores aderiram à greve. O secretário Ramiro Wahrhaftig admitiu apenas uma tentativa de greve que, segundo ele, atingiu 121 das 2.155 escolas estaduais.
De acordo com Wahrhaftig, 55 escolas pararam totalmente e 66, parcialmente. Não existe greve, mas um movimento inconsequente e irresponsável que tentou paralisar o sistema, afirmou.
Para a APP-Sindicato, a secretaria contabiliza a adesão em número de escolas, e não de professores, como forma de minimizar o sucesso da greve. Muitas escolas ficaram abertas por causa da presença do diretor, mas não tiveram aulas. Mesmo assim, a secretaria considera que elas funcionaram, disse o diretor de imprensa da entidade, José Lemos.
O balanço parcial divulgado pela APP-Sindicato no meio da tarde indica adesão de 85% dos professores em Cascavel, 70% em Toledo, 75% em Foz do Iguaçu e 85% em Assis Chateaubriand. Em Curitiba e Região Metropolitana, segundo Lemos, a adesão ficou próxima dos 70%. A região concentra um terço dos professores da rede estadual. Algumas grandes escolas de Curitiba não tiveram aulas, como o Colégio Estadual do Paraná, o Colégio Rio Branco e o Colégio Lisymaco Ferreira da Costa.
Em alguns municípios, atos públicos marcaram o primeiro dia de greve. Hoje, a partir das 9 horas, acontece no Colégio Estadual uma assembléia para avaliar a paralisação. Ela foi marcada inicialmente para durar dois dias, mas, segundo a APP, a continuidade será discutida durante a assembléia.
O secretário da Educação reafirmou que vai descontar dos salários dos grevistas o valor correspondente aos dias de greve. Segundo ele, as faltas também terão consequência sobre a progressão na carreira. Isso está previsto no Estatuto do Magistério e não vamos abrir mão dessa prerrogativa, já que não há motivos para greve, afirmou.
Ele voltou a dizer que o magistério foi a categoria mais beneficiada no governo Lerner, com 117% de reposição salarial. Segundo Wahrhaftig, não há recursos para novos aumentos agora e a hora-atividade só poderá ser implantada em 1998, se houver condições financeiras. Os professores querem 257% de reposição salarial, dos quais 35% referentes a perdas no atual governo.


