Sindicato entra na Justiça para exigir remoção de presos
Israel Reinstein
De Curitiba
Para cumprir a promessa de esvaziar o Centro de Triagem da Vila Isabel, em Curitiba, as secretarias estaduais da Segurança Pública e da Justiça terão que trabalhar bastante para encontrar vagas no sistema prisional. Atualmente, existem 1.350 pessoas condenadas pela Justiça nos distritos do Paraná. Já nas delegacias de Curitiba, este número é de 750 pessoas, de acordo com dados do Sindicato das Classes Policiais do Paraná (Sinclapol). A entidade entra nesta semana com um mandado de segurança pedindo a remoção desse excedente.
Para conseguir vagas para 30 dos 106 presos do Centro de Triagem, a Polícia Civil e a Secretaria da Justiça foram obrigadas a realizar uma série de transferências, nos últimos dois dias. No Presídio do Ahú, 30 pessoas foram removidas para a Penitenciária Central, em Piraquara. Já no Centro de Triagem, foi preciso relocar oito detentos para distritos de bairros, como o 11º, na Cidade Industrial de Curitiba, trazendo aqueles que já tinham mandado de intimação (documento que autoriza a transferência para a prisão provisória).
Com essa movimentação, todas as transferências agendadas para o Ahú foram suspensas. Como não existem vagas, deverão ser descumpridas as determinações da Vara de Execução, que autorizavam a mudança. Para o secretário da Justiça, José Tavares, esse processo é normal.
Tavares afirma que atualmente 25% da população prisional nos distritos já deveriam estar nas penitenciárias. Existem no Estado 4,7 mil detentos nas delegacias, sendo 1.350 com sentença julgada. De acordo com o secretário, este déficit deve permanecer até o ano de 2001, quando o governo conseguirá terminar mais quatro penitenciárias, aumentando em mais 1.380 as vagas existentes. O crescimetno dessa população tem sido pequeno, em função das penas alternativas, concedidas pelos juizados especiais, afirma.
Tavares diz que a secretaria ainda tem a possibilidade de ganhar mais 1.350 vagas, com a permuta da penitenciária do Ahú. Mas a permuta depende de autorização do governador Jaime Lerner, diz.
Enquanto o governo estadual não termina as reformas no sistema penitenciário, o delegado do Centro de Triagem, Paulo Silveira, deve continuar negociando nvas transferências de presos para delegacias da capital. Conforme for abrindo vagas, serão feitas as remoções, diz. O secretário de Segurança, Cândido Martins de Oliveira, prometeu em 20 dias reformar a unidade da Travessa da Lapa para se tornar o novo centro de triagem.





