O presidente da Associação dos Delegados de Polícia (Adepol) e do Sindicato dos Delegados do Paraná, Ricardo Kepps de Noronha, disse que a lei estadual que cria a figura do delegado ‘‘calças-curtas’’ é irregular e que as entidades que defendem os delegados de carreira entraram, em janeiro, na Justiça para que ela seja declarada insconstitucional. Conforme Noronha, outros estados brasileiros já obtiveram mandados da Justiça nesse sentido. Entre eles, Goiás e Bahia. ‘‘Vamos seguir esses exemplos’’, afirmou.
Noronha, que disputou com Rocha a indicação para o cargo de delegado-geral, disse que a postura da entidade está baseada na Constituição Federal. Segundo ele, a Constituição determina que apenas delegados de carreira, que fizeram o curso de Direito e concurso público, podem presidir investigações. ‘‘Vamos discurtir isso juridicamente’’, acrescentou.
Nos bastidores, comenta-se que a briga entre Rocha e Noronha tem a ver mais com questões políticas e espaço na direção da corporação do que propriamente com o atendimento à população. A princípio, a extinção dos ‘‘calças-curtas’’ parece comprometer o atendimento da Polícia Civil, como ficou demostrado desde que o governo anunciou o fim dos assistentes de segurança. Devido à falta de efetivo, delegados passaram a responder por dezenas de delegacias, que haviam ficado sem comando.
Noronha, porém, não concorda com isso. Ele acredita ser mais arriscado ter no comando de uma delegacia um funcionário despreparado, que possa cometer um engano numa prisão. Como solução, Noronha propõe a efetivação de um concurso que preencha as 40 vagas de delegado que estão em aberto ou a adoção do modelo do Rio Grande do Sul. Naquele Estado, segundo Noronha, os delegados respondem pelas delegacias das comarcas e por todos as delegacias das cidades que fazem divisa com o município sede.(J.A.)

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