Curitiba - O Sindicato dos Vigilantes do Paraná é alvo de investigação pelo Ministério Público (MP) do Trabalho, por suspeita de que não fiscalizaria empresas do setor em troca de patrocínio para um time de futebol amador. A denúncia partiu de um vigilante. A existência da denúncia confirmada pela assessoria de imprensa do MPT.
No início da tarde de ontem, o vigilante Apolinário Sabino, autor da denúncia, informou à imprensa sobre caso levado ao MPT, no dia 9 de dezembro de 2008.
Segundo Sabino, em 2006, o presidente do sindicato, João Soares, o secretário-geral, Paulo Roberto Rodrigues, e o secretário jurídico do órgão, Cícero de Caíres, teriam criado o Clube Esportivo de Segurança Privada (Cesp), um time amador, com o intuito de montar uma escola de futebol para filhos de vigilantes.
Entretanto, Sabino acusa a diretoria atual do sindicato de desviar do objetivo inicial e ainda arrecadar patrocínios de empresas do setor para a equipe, da qual participam inúmeros vigilantes. Há, conforme a denúncia, vários recibos de pagamentos a instituição esportiva que comprovariam a negociação do apoio financeiro. A diretoria do sindicato é a mesma da equipe de futebol e não nega a arrecadação do time.
Sabino disse que ao menos seis empresas de segurança privada estariam pagando patrocínio para a equipe em troca de que o sindicato não fiscalize suas irregularidades. Questionado se a diretoria do sindicato desviaria o dinheiro do time, Sabino disse acreditar que a contabilidade do time é normal. Ele montou, inclusive, uma página na internet para divulgar o suposto conflito de interesses, além de ter feito vários DVDs explicando a denúncia e alguns cartazes para tentar mostrar o caso.
O presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada (Sindesp) e dono de uma das empresas que estariam envolvidas, Jeferson Nazário, foi procurado pela reportagem da FOLHA, mas não foi localizado e não retornou as ligações.
Para Soares, Caíre e Rodrigues, Sabino está tomando uma postura de defesa das empresas de segurança e estaria sendo pago para fazer essas denúncias e acabar com a credibilidade do sindicato da classe.
A diretoria se defende com o argumento de que tem vários documentos que comprovam diversas denúncias feitas contra as próprias empresas que dão suporte para o Cesp.
A equipe de futebol é uma instituição à parte do Sindicato e não teria ligação legal, apesar de ter a mesma diretoria que a entidade de defesa dos vigilantes. Os três dirigentes afirmam que o patrocínio não influencia em nada no trabalho do sindicato.
"Algumas empresas de segurança estão pagando o Sabino para denegrir o sindicato", afirmou Soares. O procurador responsável pelo caso, Gláucio Araújo Oliveira, preferiu não se pronunciar sobre a investigação, mas confirmou que o caso está, desde o mês de dezembro, com ele.

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