O Sindicato dos Servidores Municipais de Londrina (SindServ) acusou ontem o prefeito Jorge Scaff (PSB) de omissão diante da proposta de redução de gastos na administração municipal. O estudo entregue ao prefeito há 30 dias foi elaborado por uma comissão de servidores e prevê o corte de funcionários em cargos comissionados, demissões na Frente de Trabalho (FT) e o fim dos estágios remunerados. O sindicato calcula que essas medidas trariam uma economia mensal de R$ 856 mil para a prefeitura.
Na avaliação do SindServ, Londrina está perto do caos, com várias creches paralisando suas atividades por falta de repasse da prefeitura, parte dos servidores aposentados sem salários e as escolas da rede municipal de ensino prestes à parar porque não recebem do município a verba de manutenção. ‘‘A nossa preocupação é que o prefeito Scaff está bastante omisso em relação às dificuldades que a prefeitura vem enfrentando. Fizemos uma proposta mas o prefeito não deu atenção para isso. Temos uma crise instalada na cidadde e o prefeito continua dizendo que precisa de precaução e cautela’’, criticou Marlene Valadão de Godoi, presidente do SindServ.
Um estudo feito pelo sindicato mostra que no primeiro semestre do ano passado a prefeitura arrecadou R$ 82 milhões e gastou R$ 101 milhões, sendo R$ 13 milhões com terceiros. No mesmo período deste ano a arrecadação chegou a R$ 87 milhões e os gastos chegaram a R$ 99 milhões, R$ 18 milhões somente com terceiros. ‘‘Isso significa que a prefeitura não está fazendo nenhuma contenção de despesa. A torneira continua aberta e pelo que estamos percebendo há uma preocupação apenas dos servidores em relação a cidade’’, disse Marlene Godoi.
A assessoria de imprensa do gabinete do prefeito disse ontem à tarde que Jorge Scaff ficou sabendo das críticas pela imprensa e preferiu não se manifestar sobre o assunto. Pela manhã, durante entrevista coletiva, Scaff afirmou que a proposta dos servidores foi uma colaboração. ‘‘Não estou preocupado em cumprir ou não os relatórios, eu me preocupo com administração. Toda observação feita por qualquer pessoa é tido como uma colaboração. É evidente que isso tudo será analisado e vamos procurar fazer isso dentro das necessidades do município’’, justificou.
Scaff disse ainda que a prioridade da administração é zelar pelas finanças e efetuar o pagamento de salários e o repasse à entidades assistenciais. ‘‘Nem tudo pode ser feito baseado em relatórios, mas serve como orientação e alerta’’. O prefeito garantiu que tem feito cortes de pessoas em cargos comissionados mas não divulga para não provocar constrangimento. ‘‘Nós temos feito alguns cortes mas não gosto de divulgar em respeito as pessoas que foram cortadas’’, alegou. Sobre a proposta de fusão ou extinção de secretarias e autarquias municipais, Jorge Scaff alegou que irá esperar a escolha do novo prefeito e realizar mudanças de acordo com a vontade de quem for eleito em outubro.

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