O Sindicato dos Motoristas e Cobradores das Empresas de Transporte de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc) voltou atrás e decidiu suspender a greve que estava programada para a zero hora de amanhã. Ontem, após reunião com o prefeito Cassio Taniguchi e representantes das empresas de ônibus, o presidente do sindicato, Denilson Pires, afirmou que vai adiar a data-base da categoria para março. ‘‘É preciso esperar os efeitos do pacote econômico federal para tentar negociar’’, afirmou Pires.
‘‘O prefeito pediu bom senso e resolvemos dar um voto de confiança ao governo’’, disse Pires. Cassio argumentou que o País vive um momento delicado, incompatível com aumentos tarifários.‘‘Qualquer movimento nesse sentido seria absolutamente inoportuno. Não há como repassar um reajuste à tarifa’’, afirmou o prefeito. Taniguchi enfatizou que uma eventual mobilização da classe prejudicaria os usuários do transporte coletivo.
Pires disse que a decisão do sindicato foi embasada também porque se temia demissões, já que se espera um período recessivo. ‘‘Se entrássemos em greve, ninguém garantiria o emprego de nossos associados, apesar de a prefeitura não ter cogitado este assunto na reunião’’, afirmou. Para ele, a mudança de posição do sindicato não foi uma derrota e nem uma contradição. ‘‘Sabíamos da possibilidade de crise quando entramos para negociar, mas só soubemos da dimensão dela com o anúncio feito pelo governo federal’’, diz.
Na quinta-feira, o Sindimoc e os representantes das empresas assinam um acordo postergando a data-base de 1998 para março do próximo ano. ‘‘Para 1999, vamos manter as mesmas reivindicações deste ano’’. Os motoristas e cobradores reivindicam reajuste salarial de 16% para repor as perdas da categoria. A proposta das empresas é reajuste zero e congelamento do anuênio da categoria. O último reajuste aconteceu em novembro do ano passado, quando foram acrescidos 6% aos salários de cobradores e motoristas.
A média salarial dos motoristas em Curitiba e Região Metropolitana é R$ 560,00 para uma carga horária de seis horas. Em várias cidades do Estado, como Foz do Iguaçu, Londrina, Ponta Grossa, Maringá e Apucarana a média é superior à da capital, ficando entre R$ 600,00 e R$ 700,00.

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