Sindicato diz que reformas prejudicam toda a população
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quarta-feira, 19 de março de 1997
Célia Baroni 
J. PedroContra as reformasJovita Kaiser, Edezina Oliveira e Palmo Fidélis, da comissão da APP-Sindicato: alerta à população A APP-Sindicato dos Professores, núcleo de Londrina, começa esta semana a mobilizar a categoria com o objetivo de levar o máximo possível de caravanas a Brasília no dia 17 de abril, dia da Paralisação Nacional dos Servidores. A manifestação, programada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), é contra a reforma administrativa e previdenciária. E quer garantir que o governo não reapresente no Senado o projeto original da reforma, já rejeitado pela Câmara de Deputados.
Em assembléia realizada na semana passada, a APP-Sindicato formou comissões para visitar as escolas realizando um trabalho de conscientização dos professores sobre o efeito das reformas propostas pelo governo. A situação é grave, mas nem os professores, nem a comunidade perceberam os reflexos que estas reformas vão ter em suas vidas, alerta a professora aposentada e membro da comissão da APP-Sindicato, Jovita Kaiser.
Ex-chefe do Núcleo Regional de Educação, ela afirma que as mudanças propostas pelo governo atingem radicalmente toda a população. Jovita argumenta que a falta de informação sobre as reformas, o arrocho e o desemprego estão empurrando a reforma garganta abaixo da população. As pessoas estão absorvidas em garantir a sua sobrevivência e não conseguem enxergar a gravidade do que está acontecendo. O discurso das reformas, diz, teria de sair do papel e ser traduzido para a realidade das comunidades.
No projeto original das reformas previdenciária e administrativa, os servidores perdem a estabilidade e a isonomia salarial - todo aumento concedido aos servidores na ativa é repassado também aos aposentados. Mais, cai também a aposentadoria especial para os professores. Hoje, a categoria tem o benefício com 25 anos de trabalho para a mulher e 30 anos para o homem.
Segundo a proposta do governo, a aposentadoria, para todos, seria possível somente aos 60 anos para as mulheres e 65 para os homens. E, mesmo assim, somente mediante comprovação de 30 e 35 anos de recolhimento previdenciário, para mulheres e homens, respectivamente. Que coerência tem o governo falar em 35 anos comprovados de recolhimento em um país onde a minoria dos trabalhadores tem carteira assinada? Ou em aposentadoria aos 60 e 65 anos se a média de vida do brasileiro é de 58 anos?, questiona Jovita.
Segundo Jovita Kaiser, quando o governo prega o fim da estabilidade, na verdade está falando na descontinuidade do serviço público e na inevitável queda de qualidade do atendimento. Já vivemos isto na ditadura e não deu certo. Os professores deram a vida para garantir que o ensino não fosse vinculado a interesses políticos.
Naquela época, diz Jovita, não havia estabilidade e os servidores eram demitidos e admitidos seguindo apenas os interesses políticos dos administradores. Na avaliação da professora, a idéia de que o fim da estabilidade garante um serviço público de qualidade é uma ilusão que o governo cultiva há anos com o objetivo de entregar à iniciativa privada o atendimento básico à população.


