A prisão dos investigadores revoltou delegados e policiais civis, que classificaram como ''precipitada'' a ação da Promotoria de Investigações Criminais (PIC). Foram realizadas pelo menos cinco reuniões entre delegados, juízes e promotores. Algumas delas foram bastante acaloradas e investigadores chegaram a propor que fosse realizada uma manifestação em frente à sede da PIC, o que acabou não acontecendo.
Pela manhã, investigadores realizaram assembléia, na sede do Sindicato dos Policiais Civis de Londrina e Região (Sindipol). Dezenas de policiais, incluindo delegados, deixaram seus postos para participar. ''Estamos mostrando nosso repúdio à precipitação. Não podemos permitir que denúncias de marginais, que via de regra não gostam da polícia, provoquem prisões antes de qualquer apuração'', protestou o presidente do Sindipol, Ademilson Alves Batista. ''Os policiais estão com medo de executar seu trabalho, em situação precária, pois correm o risco de ir para a cadeia de uma hora para outra.'' Nos últimos três meses, cinco policiais civis foram presos na região, todos a pedido da PIC.
O delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Jurandir Gonçalves André, disse que falhas funcionais poderiam ser evitadas com um efetivo maior. Ele preferiu não se pronunciar sobre o mérito das prisões de policiais, mas admitiu que o responsável pela carceragem do 4º DP foi ''negligente'' ao deixar duas portas de acesso abertas. ''Entendo que a presença de apenas um policial fragiliza a segurança, mas se ele tivesse tomado o cuidado necessário, a fuga não teria ocorrido.'' Ele se comprometeu a reforçar os plantões carcerários em 10 dias.
À tarde, o presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Paraná, João Ricardo Kepes Noronha, participou de reunião com praticamente todos os delegados de Londrina. Também para ele, a PIC teria agido de maneira precipitada. ''Estamos vivendo um clima unânime de revolta entre os investigadores'', apontou.

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