Paulo Ubiratan
De Londrina
O Sindicato dos Vigilantes e Transportes de Valores de Londrina e região vai denunciar à Procuradoria-Geral da República em Brasília, que a maioria das empresas que transportam valores descumprem as normas de segurança, colocando em risco de vida os seus funcionários que trabalham no setor. ‘‘Vamos também exigir judicialmente que o Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) faça uma avaliação de segurança em todos os carros fortes do Paraná. Queremos saber se estas empresas estão reblindando os veículos para que suportem tiros de fuzil AR-15 e metralhadoras 9 milímetros e ponto 30, armas que os ladrões estão usando para praticarem assaltos’’, afirmou o presidente do Sindicato dos Vigilantes, Gabriel José Trindade. Segundo ele, as denúncias serão encaminhadas por intermédio da Confederação Nacional e Federação Estadual dos Vigilantes e Transportes de Valores.
Gabriel Trindade chama a atenção para o assalto ocorrido na última segunda-feira em que seis ladrões roubaram R$ 1 milhão de um carro forte da empresa Transporte Guarda de Valores (TGV). O assalto ocorreu quando o veículo trafegava sobre a ponte do Rio Ivaí entre Maringá e Cianorte. ‘‘O carro blindado foi insuficiente para conter os ladrões que estavam com armas pesadas. Além disto carregava muito dinheiro sem nenhum sistema de proteção externa’’, denunciou. O presidente do sindicato lembrou a norma que trata do transporte de altos valores. Ela estabelece que os malotes com o dinheiro deverão ser divididos em pelo menos três carros blindados que se deslocarão para o destino em forma de comboio.
Gabriel Trindade também acusa a empresa Proforte, de Londrina, de guardar valores sem obedecer critérios de segurança. No final do mês de outubro, ladrões roubaram quase R$ 4 milhões da empresa. O dinheiro serviria para abastecer os caixas eletrônicos dos bancos na cidade. ‘‘Vamos comunicar à Polícia Federal que a maioria dos funcionários da Proforte não possui curso de transporte de valores por isto não tem qualificação para carregar dinheiro’’.
O presidente do sindicato também pedirá uma investigação profunda para saber como os ladrões ficam sabendo da movimentação de dinheiro. Segundo ele, quando existe a necessidade do transporte, somente duas pessoas tomam conhecimento desta operação, pressupondo que são de inteira confiança das empresas.
O assistente-jurídico da empresa TGV, que não quis ser identificado, disse que a empresa está obedecendo fielmente as normas da instrução normativa editada pelo Ministério da Justiça, que obriga as empresas a reblindar os veículos para suportar tiros de AR-15, metralhadora ponto 30 e armas 9 milímetros. ‘‘Posso garantir que 80% dos nossos carros blindados foram repotencializados (reblindados), conforme exige a norma do Ministério. Temos ainda mais um ano para arrumar os 20% dos veículos que faltam. Quanto aos ladrões saberem o roteiro dos carregamentos de dinheiro, somente a polícia poderá informar por intermédio de investigações’’, afirmou o advogado.
O gerente da Transforte em Londrina, Loreci Pereira de Andrade, disse que não tinha permissão para falar sobre as denúncias e solicitou que a reportagem procurasse o gerente-geral da empresa no Paraná, Gersom Benedito Pires. A Folha ligou três vezes para o escritório de Pires em Curitiba, mas ele não retornou as ligações.

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