Sindicato denuncia que contratações são ilegais
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domingo, 19 de janeiro de 2003
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba O Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário do Paraná (SINSPP) acusou ontem a empresa Montesinos, responsável pela gestão da Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP), de estar utilizando funcionários ilegais para substituir os 140 agentes penitenciários em greve. De acordo com a presidente do SINSPP, Sandra Márcia Duarte, cerca de 100 funcionários novos assumiram funções na PEP na noite de sexta-feira.
Sandra Duarte acredita que os funcionários foram chamados emergencialmente para que a visita aos detentos que ocorre aos sábados pudesse transcorrer normalmente. ''Nós levantamos que muitos deles não têm o segundo grau completo e apenas quatro teriam cursado a escola penitenciária, que são requisitos obrigatórios para a contratação de agentes. Muitos são pacoteiros, ajudantes de pedreiro e não têm nenhum treinamento na área'', afirmou a presidente do SINSPP.
Segundo ela, houve conflito entre agentes em greve e a Polícia Militar durante a visita de ontem. ''Empurraram os grevistas, ameaçaram soltar os cachorros em cima deles e chegaram até a apontar armas para eles'', disse Sandra Duarte.
A direção da PEP nega que tenha existido o confronto. ''Os grevistas nem chegaram a vir aqui'', afirma Edson Batista, um dos responsáveis pela segurança do presídio. Quanto a questão das contratações ilegais, nenhum representante da Montesinos na PEP quis se manifestar ontem. A Folha tentou contato com o Departamento Penitenciário do Estado (Depen), mas não obteve retorno.
Para Sandra Duarte, a direção da PEP está sonegando informações ao governador Roberto Requião (PMDB). ''O governador afirmou que irá acabar com as terceirizações ilegais. Causa espanto pra gente o fato que os diretores da PEP, que foram contratados pelo Estado, não repassem ao governo as ilegalidades cometidas pela Montesinos. Qual o interesse deles em manter as empresas terceirizadas?'', questiona Sandra Duarte.
Parte dos agentes da PEP contratados pela Montesinos está em greve desde o dia 27 de dezembro. Eles reivindicam salários e condições de trabalho iguais aos dos agentes contratados pelo Estado. A greve chegou a ser suspensa no dia 7 de janeiro após uma reunião de membros do SINSPP com o diretor do Depen, Coronel Justino Sampaio Filho, que se comprometeu a levar a reivindicação dos grevistas à empresa terceirizada. ''Como não tivemos nenhum compromisso oficial após a reunião, retomamos a greve no dia 13 de janeiro'', explicou a presidente do SINSPP.


