Sindicato denuncia calote contra o SUS
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de novembro de 2000
Marcos Zanatta De Maringá 
O Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde de Maringá divulgou nota ontem denunciando a Secretaria Municipal de Saúde pela falta de pagamento de procedimentos do SUS. O município tem gestão plena do sistema e é responsável pelo pagamento dos serviços realizados pela rede conveniada. O sindicato alerta que clínicas e hospitais conveniados podem paralisar o atendimento a pacientes públicos a qualquer momento. A entidade pede ainda a suspensão ou revogação da administração plena da saúde pelo município.
Segundo a denúncia do sindicato, desde que assumiu a gestão, há cerca de seis anos, e mais intensamente este ano, o município vem retendo indevidamente os valores efetivamente prestados, autorizados e auditados pelo gestor local. O sindicato responsabiliza o município por qualquer problema que vier a ocorrer no caso de deficiência no atendimento.
A situação, alerta a entidade, coloca em risco a própria sobrevivência da rede conveniada. Outro argumento da nota distribuída à imprensa e autoridades da cidade é que além dos preços defasados, a Secretaria de Saúde está retendo de 30% a 50% dos valores devidos. Uma tabela mostra a diferença de preços entre o SUS e a Associação Médica Brasileira (AMB), referência para a cobrança dos procedimentos particulares. Um parto normal, que a AMB tabela em R$ 572,72, não passa de R$ 205,00 na tabela do SUS.
Pelos cálculos do sindicato, levando em conta apenas oito dos maiores prestadores de serviços do SUS na cidade, a dívida alcança mais de R$ 1 milhão. O Hospital Santa Rita é o maior credor, com R$ 333.172,10, seguido do Sanatório Maringá, que tem a receber R$ 293 mil e o Santa Lúcia R$ 189,5 mil. O Hospital Universitário, único hospital público da região, tem um crédito do SUS de R$ 135,8 mil. Os créditos são indispensáveis para a continuidade da sobrevivência do atendimento aos pacientes do SUS, ressalta a nota.
O sindicato observa ainda que parte das clínicas com crédito junto ao sistema não possui outra fonte de renda. A retenção de parte ou de valores inteiros da prestação de serviços através do SUS vai decretar a falência dos estabelecimentos. A nota esclarece ainda que o alerta está sendo feito para prevenir responsabilidade e cobrar a imediata suspensão ou revogação da administração plena da saúde pelo município.
O secretário de Saúde de Maringá, Sandro Scolari, não retornou as ligações da Folha. Ele estava em consulta durante toda a tarde com o telefone celular desligado.


