Sindicato denuncia atraso de salários na Eletrojan
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de dezembro de 1997
Londrina 
O Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias da Construção de Londrina e Região entrou com representação no Ministério do Trabalho contra a Eletrojan - Iluminação e Eletricidade Limitada -, empresa do deputado federal e presidente do PPB do Paraná, José Janene. Segundo José Aparecido Martins, o Zezão, secretário de finanças da entidade, o salário dos 31 trabalhadores da Eletrojan está atrasado em dois meses. Os funcionários também não teriam recebido a primeira parte do 13º, que normalmente é paga no dia 20 de novembro.
Tenho informações de que a empresa nunca esteve boa, mas também nunca esteve tão ruim como agora. Fui lá, para saber da situação, fiquei esperando na recepção 45 minutos e ninguém me atendeu, conta Martins, lembrando que o telefone da Eletrojan está cortado. Ele acrescenta que todos os funcionários - de motoristas, recepcionistas, eletricistas até contador - estão indignados com a situação. Mas ninguém quer falar sobre o assunto, publicamente, por medo de represálias.
A represália eu não sei de onde vem, deve ser do diretor-presidente. Só que eles querem receber mas também não querem ser demitidos, diz o sindicalista. Martins aponta ainda que existe uma grande dificuldade de articulação dentro da empresa, já que a maioria dos funcionários trabalha na região, em instalações elétricas, e normalmente estão fora da sede.
Em julho deste ano, a Eletrojan foi denunciada pelo promotor de Defesa do Patrimônio Público de Foz do Iguaçu, Renan Fava, de fraudar, em 1994, a licitação para a obra de iluminação da avenida Costa e Silva, uma das principais vias de Foz do Iguaçu. De acordo com levantamentos do Ministério Público, as certidões de nada consta da Receita Federal e do INSS apresentadas pela empresa Eletrojan - e necessárias para a habilitação na concorrência - eram falsas.
O deputado José Janene explica que não é mais sócio-titular da Eletrojan desde que assumiu o mandato no Congresso Nacional, há quase três anos. Apesar desta mudança, a empresa continua propriedade de familiares dele. Estas denúncias de falta ou atraso no pagamento dos empregados são completamente infundadas. Não há atraso nenhum.
De acordo com o deputado federal, este tipo de denúncia contra as empresas da família dele ocorre por questões políticas. É uma malhação gratuita, de um grupo sindical que talvez não esteja satisfeito com a nossa posição durante as discussões e votações da reforma administrativa. Então, tentam desgastar nossa imagem.
O deputado explica que dos 31 funcionários que trabalham na Eletrojan apenas nove ou dez pertencem à área de atuação do Sindicato da Construção Civil. São pessoas de confiança, que trabalham com a gente há 12, 15 anos. Em outubro também houve o mesmo tipo de denúncia. Os fiscais do Ministério do Trabalho foram lá e não encontraram nenhuma irregularidade.
O Subdelegado do Ministério do Trabalho em Londrina, Dorival Silvestre Arantes, informou na tarde de ontem que os fiscais estavam na empresa ouvindo os empregados, proprietários e checando os documentos. Ainda sem o resultado da fiscalização, ele adiantou que os encaminhamentos cabíveis serão tomados na próxima semana.


