Sindicato define ação como excesso de zelo
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segunda-feira, 10 de agosto de 1998
Osmani Costa 
Perseguir e prender ladrões não são funções dos vigilantes. Eles não têm autonomia legal para isto; estas são funções exclusivas de policiais. O papel do vigilante é cuidar do imóvel para o qual foi contratado, nos limites dele. Em caso de roubo ou tentativa de roubo, os vigilantes devem comunicar o fato imediatamente à Polícia, que tomará as providências necessárias, afirma o diretor do Sindicato dos Vigilantes de Londrina, Dirson Marciano da Costa.
Na avaliação dele, o acidente que vitimou o vigilante Elias da Silva foi consequência de um excesso de zelo por parte dele e do autor do disparo fatal, José Correia. Eles não deviam ter ido atrás do ladrão. Este tipo de ação não é recomendada. Investigar, encontrar o ladrão, trocar tiros com ele e prendê-lo são funções exclusivas da Polícia. Os dois eram bons vigilantes, mas na tentativa de resolver tudo sozinhos acabaram por se envolver neste episódio com triste fim. Os vigilantes não devem entrar em confronto com assaltantes.
O gerente da empresa de segurança privada Cobra, Cícero Campos de Brito, garante que os dois envolvidos no acidente eram excelentes funcionários. Eles trabalhavam conosco há pouco mais de um ano, e eram dos nossos melhores vigilantes. O que aconteceu foi uma fatalidade, comenta Brito.
Segundo ele, um caso parecido nunca ocorreu não só na Cobra como também em nenhuma outra empresa do setor em Londrina. Foi uma dessas fatalidades que a gente não consegue explicar. Mas a nossa empresa dará todo apoio necessário à viúva e sua família, bem como ajudará o Elias - que está muito abalado psicologicamente - nesta fase de recuperação, ressalta o gerente da Cobra. Os dois vigilantes têm seguro de vida e contra acidentes no trabalho.
Os cerca de 500 que atuam na Cidade são capacitados para a profissão no centro de treinamento da Principal, única em Londrina com autorização da Polícia Federal (PF) para oferecer cursos nesta área. O curso, com disciplinas teóricas e práticas, tem duração de 120 horas e custa R$ 330,00.
Para participar do curso, que é fiscalizado pela PF, o candidato tem que apresentar atestado de antecedentes criminais e ser aprovado em teste psicotécnico. Cada vigilante passa também por curso de reciclagem a cada dois anos. Os dois foram alunos nossos numa mesma turma, em outubro de 96. Não me lembro particularmente deles, porque por aqui passam muitas pessoas, mas foram bons alunos e sairam daqui capacitados para o desempenho das funções de vigilante, diz o coordenador de ensino da Principal, Sérgio Conceição.


